terça-feira, 23 de agosto de 2011

Gratidão



O homem, por detrás do balcão olhava a rua de forma distraída. Uma garotinha se aproximou da loja e apertou o narizinho contra o vidro da vitrine. 
 
Os olhos da cor do céu brilharam quando ela viu determinado objeto. 
 
Entrou na loja e pediu para ver o colar de turquesas azuis. É para minha irmã. Pode fazer um pacote bem bonito? 
 
O dono da loja olhou desconfiado para a garotinha e lhe perguntou: Quanto dinheiro você tem? 
 
Sem hesitar, ela tirou do bolso da saia um lenço todo amarradinho e foi desfazendo os nós. Colocou-o sobre o balcão e feliz, disse: Isto dá, não dá? 
 
Eram apenas algumas moedas, que ela exibia orgulhosa. 
 
Sabe, eu quero dar este colar azul para a minha irmã mais velha. Desde que morreu nossa mãe, ela cuida da gente e não tem tempo para ela. É seu aniversário e tenho certeza que ela ficará feliz com o colar que é da cor dos olhos dela. 
 
O homem foi para o interior da loja, colocou o colar em um estojo, embrulhou com um vistoso papel vermelho e fez um laço caprichado com uma fita verde. 
 
Tome, leve com cuidado. 
 
Ela saiu feliz, saltitando rua abaixo. 
 
Ainda não acabara o dia quando uma linda jovem de cabelos loiros e longos e maravilhosos olhos azuis, adentrou a loja. 
 
Colocou sobre o balcão o já conhecido embrulho desfeito e perguntou: 
 
Este colar foi comprado aqui? 
 
Sim, senhora. 
 
E quanto custou? 
 
Ah!, falou o homem, o preço de qualquer produto da minha loja é sempre um assunto confidencial entre o vendedor e o cliente. 
 
A moça continuou: Mas minha irmã tinha somente algumas moedas. O colar é verdadeiro, não é? Ela não teria dinheiro para pagá-lo! 
 
O homem tomou o estojo, refez o embrulho com extremo carinho, colocou a fita e devolveu à jovem dizendo: Ela pagou o preço mais alto que qualquer pessoa pode pagar. Ela deu tudo o que tinha. 
 
O silêncio encheu a pequena loja, e duas lágrimas rolaram pelas faces jovens, enquanto suas mãos tomavam o embrulho e ela retornava ao lar, emocionada. 
 
* * * 
 
Verdadeira doação é dar-se por inteiro, sem restrições. Gratidão de quem ama não coloca limites para os gestos de ternura. 
 
E gratidão é sempre manifestação dos Espíritos que têm riqueza de emoções e altruísmo. 
 
Sê sempre grato, mas não espere pelo reconhecimento de ninguém. 
 
A gratidão é dever que não aquece apenas quem a recebe, mas também reconforta quem a oferece.

Redação do Momento Espírita com base no texto O colar de turquesas azuis, do livro Remotos cânticos de Belém, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O Clarim. Disponível no CD Momento Espírita, v. 2, ed. Fep

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