terça-feira, 29 de agosto de 2017

153

Posted: 13 Oct 2016 07:06 AM PDT
Em seu livro “Mistério da história”, Raoul Auclair nos indica o que ele chama de o mistério, o arcano do número 153, como meditava Santo Agostinho. Trata-se do número de peixes cuidadosamente contados por São João em seu relato sobre a segunda pesca milagrosa.
De fato, 153 é a extensão do número triangular 17, que ocupa o primeiro lugar na sequência de números absolutos que são os números primos. Então, este número aparece como um indicador sagrado, por excelência.
Assim, descobrimos que o número 153 se refere, exatamente, ao número de dias que decorreram entre a primeira aparição da Senhora do Rosário em Fátima e a última, ocorrida em 13 de outubro de 1917. E, mais: cada Ave Maria, na língua latina da Igreja, tem 153 letras, e o próprio Rosário tem 153 Ave-Marias.
Raoul Auclair releva, ainda, alguns outros fatos que destacam o número 153, como uma assinatura da Senhora do Rosário, sobre os acontecimentos de Fátima.
Abade Richard
No jornal L’Homme Nouveau (O Homem novo) – janeiro de 1963
E também em:
mariedenazareth.com
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco.
Bendita sois Vós entre as mulheres, bendito é o fruto de Vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte.
Amém.

indulgências

Posted: 11 Oct 2016 07:13 PM PDT
Muitas pessoas escreveram sobre o poder espiritual do Santo Rosário, mas talvez algo pouco conhecido é a graça da indulgência que é possível ganhar com esta devoção mariana que, segundo a tradição, foi dada pela própria Mãe de Deus.
São João Paulo II em sua Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae (Rosário da Virgem Maria, 37) assinalou que “para fomentar esta projeção eclesiástica do Rosário, a Igreja quis enriquecê-lo com santas indulgências para quem o recita com as devidas disposições”.
A respeito, a Concessão 17 da Enchiridion Indulgentiarum (Manual de Indulgências) da Penitenciária Apostólica do Vaticano, indica que “confere-se uma indulgência plenária se o Terço for rezado em uma igreja ou em um oratório público ou em família, em uma comunidade religiosa ou em piedosa associação”.
Do mesmo modo, a indulgência é concedida ao fiel que “se une devotamente à recitação dessa mesma devoção quando é feita pelo Supremo Pontífice e é transmitida através da televisão ou do rádio. Em outras circunstâncias ganha a indulgência parcial”.
Em seguida, explica que, “se a obra, enriquecida com a indulgência plenária, se pode dividir ajustadamente em partes (como o Rosário de Nossa Senhora em dezenas), quem por motivo razoável não terminou a obra por inteiro, pode ganhar a indulgência parcial pela parte que fez”.
Nesse sentido, destaca que no caso da oração vocal “deve acrescentar a devota meditação dos mistérios” e que na oração pública, “os mistérios devem ser meditados conforme o costume aprovado no local; mas na recitação privada, basta que o fiel acrescente à oração vocal a meditação dos mistérios”.
Como se sabe, só é possível ganhar uma indulgência plenária por dia (exceto em perigo de morte). É possível obtê-la se cumprir as devidas disposições que a Igreja pede, ou seja, a confissão sacramental, a comunhão eucarística e as orações pelas intenções do Papa. Se desejar, a indulgência pode-se ganhar a indulgência para um falecido.
Sobre o objeto do Rosário
Por outro lado, o Beato Paulo VI estabeleceu em sua Constituição Apostólica Indulgentiarum Doctrina (Doutrina das indulgências, Norma 17), que “aos fiéis que utilizam religiosamente um objeto de piedade (crucifixo, cruz, terço, escapulário, medalha), validamente abençoado por um padre, concede-se indulgência parcial”.
“Além disso, se o objeto de piedade foi bento pelo Soberano Pontífice ou por um bispo, os fiéis que religiosamente o usam podem também obter a indulgência plenária no dia da festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, ajuntando, porém, a profissão de fé sob uma forma legitima”.
Com relação a este assunto, o Pe. Jhon Phalen, Csc, grande propagador da devoção do Santo Rosário em Família, advertiu que usar com devoção um objeto de piedade significa rezar.
“Eu acredito que carregar uma cruz ou até o Rosário é como uma profissão de fé. Mas o Rosário em si, mais do que o objeto concreto, é a oração. Então deverá rezá-lo”, esclareceu o sacerdote. “De outra forma pode parecer que há muita fé no objeto e não em Deus… o objeto nos ajuda a nos comunicarmos, relacionarmos com Deus”, acrescentou.
Portanto, não basta carregar o Rosário no pescoço, no bolso ou a bolsa para ganhar a indulgência parcial, mas deve ser usado na oração, para nos aproximar mais de Deus na própria vida.

a ferida no ombro de Cristo


Foram dois grandes santos em espírito de oração e dolorosamente dedicados a uma chaga da Paixão de Cristo

O que o místico medieval São Bernardo de Claraval e o moderno monge São Padre Pio têm em comum?
Bem, ambos são santos e compartilham a recompensa eterna que Deus preparou para eles. Mas, além disso, os dois tiveram uma devoção sincera a uma chaga de Cristo.
SÃO BERNARDO DE CLARAVAL, um abade francês e místico que ajudou a renovar a Ordem de Cister, no século 12, relatou uma conversa que tivera com o Senhor que ficou registrada nas Atas do convento de Claraval. Ele orou, perguntando a Jesus qual tinha sido o seu maior sofrimento não registrado pelos homens; e o Senhor lhe respondeu:
“Eu tinha uma ferida no ombro, em que havia carregado a Cruz, e esta ferida era mais dolorosa que as outras. Os homens não fazem menção dela, porque lhes é desconhecida. Honrai-a, pois, e Eu vos concederei tudo o que me pedirdes por sua virtude. Todos aqueles que a venerarem, obterão a remissão dos seus pecados veniais e graças eficazes para alcançar o perdão dos pecados mortais que tiverem cometido”.
SÃO PIO DE PIETRELCINA, frade Capuchinho, padre e místico, morreu em 1968. Padre Pio era conhecido como um confessor e um homem santo que há mais de 50 anos manifestava as chagas de Cristo (os estigmas) em suas mãos e pés.
Em um livro publicado em língua italiana pelo convento de São Pio, intitulado Il Papa e Il Frate, o autor Stefano Campanella informou que o futuro São Pio tinha tido uma conversa muito interessante com Karol Wojtyla, o futuro Papa São João Paulo II.
De acordo com Campanella, Padre Wojtyla perguntou ao Padre Pio qual de seus ferimentos causou mais dor. Padre Wojtyla esperava que Padre Pio fosse dizer que era sua ferida no peito; mas em vez disso Padre Pio respondeu: “É o meu ferimento no ombro, que ninguém conhece e nunca foi curado ou tratado”.
Em 2008, 40 anos após a morte de Padre Pio, o autor Frank Rega escreveu sobre Padre Pio:
Uma vez em Padra [sic] tinha confiado ao irmão Modestino Fucci, agora o porteiro no convento de Padre Pio em San Giovanni Rotondo, Itália,que suas maiores dores ocorreram quando ele mudou de veste. Irmão Modestino, como Padre Wojtyla, pensou que o Padre Pio estava se referindo às dores do ferimento no peito. Então, no dia 04 de fevereiro de 1971, foi atribuído ao irmão Modestino a tarefa de fazer um inventário de todos os itens do falecido padre na cela do convento, e também os seus pertences nos arquivos. Naquele dia, ele descobriu que em uma das vestes do Padre Pio tinha um círculo de mancha de sangue na área do ombro direito.
Nessa mesma noite, o irmão Modestino pediu em oração ao Padre Pio que esclarecesse sobre o significado da camisa manchada de sangue. Ele pediu ao Padre para dar-lhe um sinal se Cristo realmente teve um ferimento no ombro. Em seguida foi dormir, despertando 1 hora da manhã com uma terrível, angustiante dor em seu ombro, como se tivesse sido cortado com uma faca até o osso do seu ombro. Ele sentiu que iria morrer de dor se continuasse, mas durou apenas um curto período de tempo. Em seguida, a sala se encheu com o aroma de um perfume celestial de flores – o sinal da presença espiritual de Padre Pio – e ele ouviu uma voz dizendo: “Isso é o que eu tinha que sofrer!”
São Bernardo de Claraval, depois de receber a mensagem de Cristo sobre a dor que experimentou em seu ombro, procurou promover devoção ao ferimento no ombro de Cristo, e escreveu esta oração:
Oração à Chaga do ombro de Cristo
Ó bom Jesus, Senhor e Redentor meu, que carregastes a pesada Cruz de todos os pecados do mundo e também os meus, pelos méritos da Chaga e dor que tal Cruz rasgou no vosso Ombro, eu Vos peço, humildemente, o arrependimento e perdão de todas as minhas culpas e a graça de morrer sem pecado. E lembrando o auxílio que Vos deu Simão Cireneu, aliviando o peso da vossa Cruz, peço-Vos ainda, em virtude da Chaga do vosso Ombro, que foi a primeira e a mais escondida do vosso sacrifício redentor, que susciteis no mundo muitas almas vítimas, a continuarem nelas a vossa Paixão e, pela generosidade do seu holocausto, suportado com amor heróico, resgagem muitos peadores, salvem muitos moribundos, e atraiam sobre a Terra uma chuva de Caridade e Pureza. Amém.
Fonte: Aleteia

Não dê um smartphone ao seu filho

Não conceda aos produtores pornográficos o acesso que eles tanto procuram aos seus filhos.
Por Jonathon van Maren | Depois de passar quatro dias em um encontro de combate à exploração sexual, na cidade de Houston, no Texas, minha mente está exausta. Assistimos a palestras sobre neurociência, tráfico humano, abuso sexual, exploração infantil e muito mais. Também assistimos a muitas, muitas palestras, sobre o veneno que tem se infiltrado em todos os lugares, alimentando o estupro, destruindo relacionamentos, debilitando os homens e obliterando a infância: a pornografia.
Ainda escreverei muito mais sobre o que aprendi, mas, por enquanto, gostaria de fazer aos pais um breve apelo, que praticamente todos os palestrantes fizeram e eu faço questão de repetir: não dê um smartphone ao seu filho.
Parece loucura imaginar que, uma década atrás, smartphones eram incomuns. Muitas pessoas sequer tinham um celular em mãos. Agora, de acordo com a premiada jornalista e escritora Nancy Jo Sales — autora de American Girls: Social Media and the Secret Lives of Teenagers —, praticamente todas as interações sociais (e sexuais) dos adolescentes foram canalizadas para os pequenos e frenéticos aparelhos que eles carregam consigo para onde quer que vão. Isso tem feito crescerem ocyberbullying, o consumo e a produção de pornografia e até mesmo o suicídio e a exploração sexual entre jovens. Adolescentes — e crianças — são puxados para dentro das redes sociais, do Facebook ao Instagram, do Snapchat a outra meia dúzia de aplicativos desconhecidos, onde as interações e os conteúdos são selecionados apenas pelas crianças que os acessam, livres de qualquer supervisão dos pais ou adultos.
Os adolescentes sabem que isso está tornando as suas vidas miseráveis. As meninas com quem conversou a jornalista Nancy Sales também lhe contaram isso. Mas elas também revelaram não ter saída. Como hoje a maior parte da vida das pessoas se passa online, optar por sair é como escolher o isolamento voluntário. As “moedas de troca” geralmente envolvem imagens de nudez, sexo explícito ou “selfies” — e, cada vez mais, também isso deixou de ser opcional.
Os pais são incapazes de controlar esse novo mundo dos adolescentes. Em muitos casos, eles sequer conseguem penetrar o seu interior. É por isso que um pai ficou tão perplexo quando sua filha se enforcou depois de um adolescente cruelmente publicar um vídeo seu tomando banho no Snapchat — aquela tinha sido, na verdade, a primeira vez em que o pai, desolado, ouviu falar de “Snapchat”. Para os pais que desejam resgatar os seus filhos da “selva da Internet” ou poupá-los do sofrimento que está devastando milhões de pessoas, há algumas alternativas. Diálogo honesto e conversas francas. Fiscalização atenta do uso das redes sociais. Programas especiais e filtros de Internet em todos os aparelhos de tecnologia.
Mas, por hoje, eu gostaria de indicar apenas uma coisa: não dê um smartphone ao seu filho.
Esse conselho tem me tornado bastante impopular em alguns ambientes. Um dia desses, durante apresentação em uma escola, um adolescente me cumprimentou com sarcasmo: “Então você é aquele que disse aos meus pais que eu não deveria ter um celular”. Mas isso é essencial. As crianças e a maior parte dos adolescentes não precisam de um celular com acesso à Internet. Eles não precisam de acesso ininterrupto aos sites de mídia social que os submetem mais à influência de seus colegas que à de seus pais. Eles não precisam da pressão social que inevitavelmente —inevitavelmente — advém da entrada em um mundo com novos padrões e novas “moedas de troca”. E, acima de tudo, eles não devem ter acesso a toda a pornografia que a web pode oferecer, a todo esse material sujo criando novos e destrutivos modelos de comportamento — modelos com os quais toda a juventude, para além dos Estados Unidos, está começando a se conformar, seja por pressão, por violência ou por escolha própria.
Escutei dezenas de histórias nesse fim de semana, de pais que se surpreenderam encontrando os seus filhos assistindo a pornografia pesada em seus smartphones. Crianças com idade menor que a média de primeira exposição a pornografia, que costumava ser 11 anos. Agora são 9. Essas crianças, em alguns breves momentos de espanto e terror, têm roubada a sua inocência. Seus mundos mudam por completo naquele momento. Elas não podem “desver” o que viram. Elas sequer deveriam ter acesso a isso, para começo de história.
Por isso, não coloque um smartphone na mão do seu filho.
Eu entendo que os adolescentes tendem mais a precisar realmente de um celular. Meus pais me compraram um telefone celular quando eu tirei a carteira de habilitação — não para que eu interagisse com meus amigos e entrasse na Internet, mas para que eles entrassem em contato comigo e eu tivesse um meio de me comunicar quando estivesse fora, essas coisas. Meus primeiros celulares não tinham acesso à Internet, e eu não perdi nada com isso. Confesso que às vezes gostaria que meu telefone atual também não tivesse Internet, porque eu sou culpado, juntamente com esta geração, de desperdiçar tempo no meu telefone quando poderia estar fazendo alguma coisa (qualquer coisa, na verdade) mais produtiva. Mas, quando adolescentes precisam de um telefone, mesmo assim eles não precisam de um telefone com acesso à Internet. Um telefone que lhes permita fazer ligações e mandar mensagens é bom o suficiente. Eles não precisam estar constantemente conectados às redes sociais, não precisam de Snapchat (um aplicativo que pode arruinar vidas em questão de segundos) e eles definitivamente não devem ter acesso à pornografia selvagem com a qual quase inevitavelmente irão se deparar.
Não dê aos produtores pornográficos o acesso que eles tanto procuram aos seus filhos. Eles sabem que crianças e adolescentes são mais propensos a encontrar pornografia em seus celulares, e é por isso que eles fizeram um esforço gigantesco nos últimos anos para criar material pornô que pudesse ser visto e transmitido via aparelhos móveis. Eles sabem como chegar aos seus filhos: por meio de um smartphone.
Não dê um ao seu filho.

A PÁTRIA NASCENTE



29-08-2017


 



Rio Grande do Sul: conquista, tradição e religiosidade
  Carlos Sodré Lanna (*)





Na época do descobrimento do Brasil, a região que hoje constitui o estado do Rio Grande do Sul era habitada pelos índios minuanos, charruas e caaguaras.
Somente a partir de 1610 os padres jesuítas espanhóis começaram a se estabelecer na área, organizando os aldeamentos de índios civilizados, as famosas missões ou reduções. Foram eles que introduziram no território as primeiras cabeças de gado, e o índio das missões foi o primeiro vaqueiro do Rio Grande do Sul.
Este trabalho civilizador e evangelizador dos jesuítas espanhóis se concretizou naquilo que ficou conhecido como Os sete Povos das Missões.
O gaúcho primitivo teve origem étnica na mestiçagem entre portugueses, espanhóis e índios. A partir de 1740 iniciou-se o povoamento sistemático com a vinda dos açorianos e moradores de Laguna, hoje Santa Catarina. Em 1824 chegaram os imigrantes alemães e em 1870 os italianos. Os portugueses povoaram mais o litoral.
O território gaúcho ficou como uma ponta de lança do Brasil para o sul, além do meridiano de Tordesilhas,(*) em vista das terras conquistadas por seus habitantes. Estes passaram então a defender nossa fronteira contra os espanhóis, acumulando ao longo de sua história uma tradição de lutas e de heroísmo.
Com o apoio dos portugueses, paulistas, açorianos, catarinenses e índios puseram fim às pretensões dos vizinhos argentinos e uruguaios, ocupando o território do atual Rio Grande do Sul.

Fazendeiros: defensores da fronteira do Sul
O gado e os cavalos vindos das Missões jesuítas viviam soltos, à lei da natureza, pelas coxilhas gaúchas.
O homem defendeu a terra e dedicou-se à pecuária, em torno da qual tudo girava. Não se concebe o gaúcho sem o cavalo, brasileiro típico da fronteira sul.
De início, a caça ao gado, os tropeiros, as invernadas. Mais tarde as estâncias, as fazendas, as charqueadas, os rodeios.
Diante do inimigo hispânico ao sul e a oeste, o gaúcho estava a serviço dos reis portugueses, defendia nosso País e suas estâncias ou querências. Os interesses dos fazendeiros harmonizavam-se com os do Estado nas linhas fronteiriças. As pressões dos vizinhos criaram no gaúcho o espírito de disciplina, o respeito à autoridade e fizeram dos corajosos peões verdadeiros soldados.
Os fazendeiros fundaram seu prestígio na ocupação das planícies e no valor militar demonstrado nas coxilhas. E as estâncias tiveram uma função civilizadora, na formação da alma gaúcha, com a criação de uma legenda guerreira e um profundo amor às tradições que persiste até nossos dias.
Novas imigrações: assimilação rápida
Praia de Torres a 200 km de Porto Alegre
O Rio Grande do Sul é rico em belezas naturais, possuindo um litoral com lindas praias. Coberto por campos e florestas, os primeiros ocupam dois terços do território. No inverno a geada cobre todo o Estado e na região norte cai neve em vários municípios.
A imigração alemä e italiana deixou profundas marcas nos costumes, na arquitetura e na culinária gaúcha. Esses novos gaúchos adotaram sem demora o chimarrão, o churrasco e o cigarro de palha. Em troca legaram o macarrão, a polenta, o pão cuca, o arado, a semeadeira e a carreta para transporte de carga pesada.
As roupas típicas gauchas parecem trajes de festas. Usam sempre uma bombacha (calça larga). No inverno cobrem-se com o poncho, um pano de tecido grosso, enquanto no verão utilizam a pala, de tecido leve. Calçam botas de cano longo e usam esporas barulhentas que marcam seus passos. No pescoço colocam um lenço colorido e na cintura um cinto largo, ou guaiaca, onde é pendurada uma faca ou adaga. Na cabeça um chapéu mole, de abas largas, seguro por uma tira de couro.

Centros de Tradições Gaúchas e religiosidade
Por todo o Brasil, nos lugares onde há gaúchos, surgem os Centros de Tradições Gaúchas (CTGs), com seus galpões para reuniões, churrascadas, músicas e danças típicas, chimarrão, trajes e costumes do Rio Grande do Sul. Consta já haver mais de 800 dessas associações espalhadas nos diversos estados do país.
Esses centros demonstram como é grande o número dos que se orgulham de ter raízes gaúchas, portadores de um legado histórico marcado por lances de grandeza.
A Religião Católica deixou traços profundos na alma do povo gaúcho, como se pode notar em todas as regiões do Rio Grande do Sul.
Um exemplo típico é a procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, realizada no dia 2 de fevereiro, todos os anos, em Porto Alegre. Milhares de fiéis em centenas de barcos participam da procissão fluvial no rio Guaíba, que banha a capital.
A imagem de Nossa Senhora dos Navegantes (foto acima) é previamente retirada da igreja onde fica habitualmente e colocada em outra. A procissão se destina a reconduzi-la à sua igreja, onde ficará até o ano seguinte. Durante o percurso os gaúchos lançam presentes nas águas do rio, como flores, fitas e grinaldas, para Nossa Senhora dos Navegantes. No final da procissão, começa a festa, com numerosas barracas, comidas e bebidas típicas de uma comemoração gaúcha.


* Carlos Sodré Lanna é colaborador da Abim.     


Marcos 6, 17-29 Evangelio Agosto 29 2017

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Curiosidades! Cerveja



28-08-2017


 

Origens monásticas da cerveja


Plinio Maria Solimeo 





Numa calorenta tarde de verão — ou mesmo de inverno —, poucos são os que resistem a uma cerveja bem gelada. De preferência, de garrafa; ou um chope espumante, tomado em caneca de louça ou de vidro.
Ao saborear a agradável bebida — uma das mais populares do mundo entre os adultos —, não passa pela cabeça da maioria das pessoas que ela tem uma longa história, que se prende aos mosteiros do início da Idade Média na Europa.
Com efeito, a cerveja foi elaborada com um contributo indispensável da religiosa beneditina Santa Hildegarda de Bingen, e aperfeiçoada mais tarde por monges trapistas, fazendo com que sua história seja cercada de muitas bênçãos.
Foi na noite dos tempos da Alta Idade Média (760-1000) que os monges penetraram no território europeu, no insano trabalho de converter as tribos bárbaras. Esses homens de visão não se restringiram a essa nobre atividade; foram também responsáveis pela salvação da cultura, ameaçada em meio àquele caos, ensinando a esses povos primitivos o uso da terra e, sobretudo, cultivando seus espíritos.
Por acaso — ou melhor, pela mão da Providência, pois coincidência não existe —, em determinado momento os monges começaram a fabricar para uso próprio uma bebida forte e saudável que servia ao mesmo tempo para alegrar um pouco o coração do justo e matar a sede e alimentar o corpo. Desse mosteiro ignoto a bebida se espalhou para outros mosteiros, começando assim a sua história.
Acidentalmente, consta que a cerveja foi também responsável pela boa saúde de muitos, pois em várias regiões ela mitigava o mau efeito da insalubridade ou má qualidade da água, que provocava enfermidades.
Com o tempo, muitos monges de várias Ordens religiosas — franciscanos, beneditinos, mínimos e, pouco depois, os trapistas —, começaram também a fazer cerveja, que lhes servia não apenas como fonte de renda, mas também de subsistência.
Pode-se por isso dizer que a Igreja e a cerveja sempre estiveram juntas, no sentido de que até hoje algumas das melhores cervejas do mundo são feitas por monges.
Contributo de Santa Hildegarda
A cerveja de hoje não se parece com a medieval. Pelo menos com a da Alta Idade Média. Entretanto, essa bebida recebeu no século XII o inesperado e indispensável contributo de Santa Hildegarda, beneditina alemã, que modificou de vez a deliciosa bebida.
Nascida no século XI, Santa Hildegarda de Bingen (1098-1179), a Sibila do Reno, foi colocada pelo Papa Bento XVI no número das Doutoras da Igreja. Verdadeira erudita entre as quatro paredes da clausura do convento, ela escreveu desde tratados de teologia e de mística até alguns de botânica e de medicina. Neles indicava um sem-número de remédios e tecia considerações sobre determinadas doenças, que até hoje assombram os cientistas.
Em seu tempo, utilizava-se na cerveja uma mistura de ervas aromáticas chamada gruit. Hildegarda observou que as bebidas doces eram muito populares e, não sabemos por que, supunha que o seu consumo elevado ocasionava problemas de visão, podendo chegar até à cegueira.
Em seu tratado sobre botânica, ela escreveu sobre os benefícios do lúpulo para a saúde, e da conveniência de seu emprego na fabricação da cerveja. De modo que esse complemento — essencial para a fabricação de uma boa cerveja — foi introduzido por indicação dela. Dando à bebida um toque mais amargo, contrabalançava o abuso de seu consumo, evitando assim os males decorrentes de outras bebidas mais doces.
Contributo dos monges trapistas
Abadia trapista de Molesme (França)
Exatamente no ano em que nascia Santa Hildegarda, São Roberto, abade do convento de Molesme, estabelecia-se em Cîteaux, com o propósito de restaurar uma literal observância da Regra de São Bento. Um dos mais extraordinários frutos desse convento foi o célebre São Bernardo, enviado depois com outros monges para fundar uma filial em Claraval, que ele tornaria famosa.
Os monges da reforma de Cîteaux passaram a ser chamados de cistercienses. Infelizmente, como acontece com todas as obras humanas, essa Ordem começou a decair. Foi então que, no século XVII, na Abadia de La Trappe, o abade Jean-Armand le Bouthillier de Rancé — mais conhecido como Abade de Rancé (1626-1700) —, empreendeu uma reforma para levar seus monges ao antigo fervor. Por causa de sua abadia de La Trappe, seus monges reformados começaram a ser chamados de trapistas (ou da Ordem dos Cistercienses Reformados), para distingui-los dos monges da Ordem dos Cistercienses da Observância comum.
Os trapistas são monges contemplativos, que levam uma vida considerada muito dura pelas pessoas do mundo. Eles se levantam antes do amanhecer para começar o dia com a oração litúrgica, que rezam conjuntamente várias vezes ao dia. Fora das orações, cada qual prossegue o seu trabalho em silêncio, pois este é obrigatório, como o é também o trabalho manual. Cada mosteiro tem a sua especialidade específica. O silêncio é assim praticamente perpétuo, proporcionando aos monges um ambiente que os ajuda a permanecer sempre em oração.
Portanto, foi num convento trapista que se chegou ao aperfeiçoamento da técnica de preparação da cerveja, a qual se estende até os nossos dias. E aquela produzida nesse convento alcançou tal fama, que os monges viram-se obrigados a registrar a marca “trapista”, nome que passou a ser utilizado como propaganda para a venda de cerveja.

Por isso, apenas dez cervejas levam o logotipo oficial trapista em suas etiquetas: Chimay, Achel, La Trappe, Orval, Rochefort, Westmalle, Westvleteren, Engelszell, Zundert e Spencer. Quase todas são belgas, mas há também holandesas, francesas, austríacas, e inclusive uma americana.
É preciso dizer que, para não prejudicar sua vida de piedade e oração, os trapistas dedicam apenas poucas horas ao fabrico da cerveja, o que faz com que sua produção seja limitada. O alto lucro que eles obtêm com sua venda destina-se primeiramente à manutenção dos monges e do mosteiro, sendo o restante empregado em obras caritativas, pessoas necessitadas e no desenvolvimento da área do mosteiro.

Um padre americano cervejeiro
Recentemente, um sacerdote americano ganhou o prêmio nacional de mestres cervejeiros. Trata-se do Pe. Jeff Poirot, pároco da igreja da Sagrada Família, de Forth Worth, no Texas. Em seus limitados tempos livres, ele começou a fabricar cerveja artesanal com um amigo na garagem de sua casa, como passatempo.
Ambos começaram a participar do concurso cervejeiro National Homebrew Competition há três anos, e agora ganharam o prêmio Ninkasi, concedido aos cervejeiros que acumularam mais pontos nas 33 categorias.
Mas sua produção é também bastante limitada, uma vez que o Pe. Poirot é muito solicitado pelos paroquianos e pelos deveres inerentes ao seu cargo. Por isso pede algumas vezes ao seu sócio que termine de preparar a cerveja, pois ele deve priorizar o seu trabalho como sacerdote. Acima de tudo, está o serviço de Deus.(*)
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                      Plinio Maria Solimeo é escritor e colaborador da ABIM

  





Fonte: Agência Boa Imprensa – (ABIM)