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O Adjunto Aluxã,
Mestre Mário Kioshi, tinha o dom da tranquilidade. Não importava a situação,
ele estava sempre disposto a ouvir sem expressar aborrecimento, mesmo face às
mais absurdas colocações.
Recordo de uma reunião
em um Templo (não citarei qual) em que muitos médiuns queriam mudanças.
Clamavam por uma atuação mais intensa do corpo mediúnico, reclamavam uns dos
outros, sempre desejando que houvesse mais comprometimento dos irmãos.
Então marcou uma
reunião afirmando que daria oportunidade a todos se manifestarem.
Neste dia o templo
estava cheio! Parecia que até mesmo aqueles que só apareciam no Templo
“quando o calo aperta”, estavam presentes. Fez longos instantes de
concentração, uma bela prece e abriu a reunião.
Primeiramente falou da
Doutrina. Do quanto era agradecido pelos trabalhos espirituais e que jamais
desanimava, pois compreendia que não era Pai Seta Branca que precisava dele,
e sim ele que precisava da Doutrina.
Depois abriu espaço
para que todos se manifestassem. Um dos comandantes mais antigos começou a
reclamar da falta de compromisso com a manutenção do Templo. Mário não
interferiu... Deixou que falasse tudo que queria. Quando terminou, ele
perguntou:
- Mas o que você
considera importante agora?
- Mestre, o templo
está sempre sujo. Dá até vergonha dos pacientes em alguns dias. Todos chegam
para trabalhar, mas cadê que vêm limpar?
- Está certo, meu
irmão, então você pode começar a assumir a limpeza e ir formando um grupo
para manter? Passo a você esta missão!
- Salve Deus!
Mestre!!! Eu não posso! - respondeu o Mestre e em seguida apresentando uma porção
de justificativas.
Outro então se
manifestou:
- Adjunto. O senhor já
viu como está o Pajé? Nunca foi terminado! As telhas velhas doadas já estão
caindo em tempo de machucar alguém. Precisamos urgentemente terminar esta
obra.
Com sua tranquilidade
inabalável, Mário respondeu:
- Está bem meu irmão. Então
entrego em suas mãos esta missão! Pode começar a reforma, eu mesmo faço a
primeira doação.
- Salve Deus! Eu???
Não dá Mestre! – E também apresentou uma série de desculpas esfarrapadas.
Outro mais ainda se
manifestou:
- Mestre Mário,
ninguém contribui para manter o pátio limpo também.
Novamente aconteceu o
mesmo. Mário concordando e entregando a missão e a pessoa “dona da grande
idéia” pulando fora na hora de assumir.
E foi assim até que
todos que desejavam se manifestaram.
Meus irmãos e irmãs,
Salve Deus! Não basta observar os defeitos, as falhas, as necessidades. É
preciso ter coragem de enfrentar e fazer!
Basta de reclamar!
Reclamar do seu irmão é muito fácil. Difícil é fazer o que se precisa! Vejo
em nossa Doutrina muitos “reclamadores”, cheios de idéias e até boas
intenções... Mas os “fazedores” são poucos!
Se você observa uma
necessidade em seu Templo, não fale! Vá e faça! Aprendi esta lição com o
grande Adjunto Aluxã. Ele era Dentista, reconhecido, um dos Adjuntos de Raiz
consagrados por Tia Neiva, mas nunca se furtou a ele mesmo empunhar o
carrinho de mão e carregar concreto para as obras quando era necessário.
Fosse no Templo que fosse!
Kazagrande
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SALVE DEUS! FAÇAM O FAVOR DE SEREM FELIZES. COMAM E BEBAM; A MESA ESTÁ POSTA! SALVE DEUS
domingo, 15 de fevereiro de 2015
Reclamar ou Fazer?
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Paz
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Ter Paz é ter Equilíbrio!
Entendo que muitos
compreendem que este equilíbrio reside em uma tranquilidade financeira,
harmonia familiar, saúde e espiritualidade.
Porém o sentimento de
Paz está acima de qualquer situação que possa ser vivenciada em nossa
encarnação terrestre. Paz é um sentimento que sublima as condições de nossa
vida física.
Paz é ter a
consciência tranquila, o amor nas palavras e os pensamentos livres de
negatividade.
Estar em Paz é estar em
Positividade!
O sofrimento ocorre
pela ausência de positividade. Somos condicionados dia a dia a pensar e
vibrar negativamente, afinal a tônica deste plano ainda é negativa. Buscando
uma harmonia entre nossas ações, palavras e pensamentos, poderemos
“positivar” nossa vida e atingir a Paz.
Entendo também que
dificuldades financeiras, amores mal correspondidos, ausência de
espiritualidade dificultam atingir a Paz, porém, nossas vibrações e
pensamentos é que direcionam nossa caminhada. Somos verdadeiramente reflexo
de como pensamos e vibramos! “Nosso padrão vibratório é nossa sentença” (Tia
Neiva).
Ao enfrentar as
provas, que livremente assumimos para esta encarnação, precisamos aprender a
“estar no controle”. Controlamos com relativa facilidade nossas ações, pois
não fazemos nem 1% de todas as besteiras que pensamos. Mas... falamos
demais!!! Colocamos para fora a negatividade de nossos pensamentos, expelindo
uma venenosa energia que maltrata a todos que nos cercam e inevitavelmente
atraem ainda mais problemas para nossas vidas.
Precisamos escolher
nossas palavras! Ah! Se todos percebessem a energia ectoplasmática que
emitem, que desperdiçam, que envenenam!
Abandonar as palavras
pesadas, deixar de falar dos outros de maneira pejorativa, parar de picuinhas
e fofocas, parar de comentar sofrimentos, eliminar as reclamações; são
pequenas atitudes de controle que passam a beneficiar com muita eficácia as
nossas vidas. São forças que deixam de ser negativadas!
Controlar os
pensamentos é muito mais difícil, pois temos milhares de pensamentos diários
e muitos passam como um flash em nossas mentes. Estes “flashes” de
negatividade não geram problemas se não dermos forças a eles! O que não
podemos é “dar força” a pequenos pensamentos negativos. Não podemos permitir
que nossa “mente associativa” divague em pensamentos e lembranças despertadas
por um pequeno flash negativo.
Para ter Paz e estar
em Paz, é preciso despertar a consciência e assumir controle de nossas vidas.
Vibrando positivamente e atraindo coisas, oportunidades e pessoas melhores em
nossas vidas.
Viver em Paz é
possível, mesmo com todos os problemas, mesmo com o peso do karma, pois temos
uma missão que nos permite ter foco! Ter objetivo encarnatório!
Kazagrande
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Afinidades e Cobranças
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A
magia dos relacionamentos.
Os
seres, encarnados ou desencarnados, sempre se aproximam por duas premissas:
Afinidade ou Cobrança. E mesmo quando se trata de uma legítima cobrança, a
aproximação inicia pela afinidade, só que mascarada pelo charme das encarnações
passadas.
É
impossível visualizar de imediato se uma aproximação, que se inicia pela
afinidade, se converterá em cobrança, posteriormente. Isso acontece porque
todo reajuste ocorre pelo planeamento de encontro no plano físico,
inicialmente traçado no espiritual.
É
necessário reajustar! Na verdade, o termo correto seria “reequilibrar”, pois
com o advento da Escola do Caminho, iniciado na chegada do Divino Mestre,
rompendo o ciclo cármico vicioso, e trazendo a possibilidade da Lei do
Perdão, podemos, pelo amor e perdão, reduzir o carma e suas cobranças ao
equilíbrio energético.
Explicando:
Antes da chegada de Jesus, o Caminheiro, o ciclo cármico obedecia
exclusivamente ao “dente por dente, olho por olho”, e os reajustes
eram verdadeiras cobranças “centil por centil”. Com a chegada de
Jesus, movimentando uma inenarrável força extra-cósmica, com milhares de
espíritos de Luz envolvidos no evento, o etérico terrestre sofreu uma rutura,
e os espíritos que aqui se acrisolavam por seus apegos e culpas, passaram a
ter a possibilidade de seguir a jornada em busca de novas encarnações e
oportunidades.
A
Escola do Caminho instituiu a Lei do Perdão, que permite a dívida ser paga
com amor, restando apenas a energia negativa emitida ser reequilibrada.
Antes: Uma profunda dor provocada somente seria paga com o
sofrimento, em igual profundidade, pelo causador da dor.
Depois: Havendo o perdão por parte da vítima, a energia gerada pelo
sofrimento da vítima deverá ser reequilibrada, permitindo que o agressor se
redima pela prática da caridade, sem necessariamente ter que sofrer o mesmo
mal que gerou.
Por
isso devemos semear o perdão todos os dias!
Para poder colher o perdão, para poder pedir perdão por nossas próprias
falhas, para nos libertamos e termos a oportunidade de trabalhar
espiritualmente em prol dos desconhecidos, praticando a caridade e assim
redimindo a energia emitida por nossas vítimas do passado.
Portanto,
lembremos: não há “cobrador”, existem nossas vítimas do passado!
A
Afinidade se dá pela frequência vibratória. Somos atraídos por aqueles que
estão na mesma sintonia que nós. Já observaram que quando estamos reclamando
da vida sempre aparece um que vem contar um drama que ele acha ser pior que o
nosso??? Atraímos este tipo de gente!
Da
mesma maneira quando estamos “para cima”, de alto astral, parece que
encontramos as pessoas mais felizes. Realmente é assim!
“Ah, mestre... Meus
relacionamentos parecem que são todos cobranças”... Salve Deus! Devem ser mesmo, pois é isso que você está atraindo!
Pare de vibrar em cobranças, pare de reclamar da vida, pare de pensar que
está com problemas.
Pensar
em problemas atrai mais problemas! Se você pode resolver, parta para a
solução. Se não pode resolver, de nada adiantará ficar remoendo pensamentos
tristes. Vibre positivo! Atraia boas pessoas, atrai soluções! Pense em
soluções, vibre pensando que tudo já está resolvido e logo estará!
Meus
irmãos e irmãs, não falo da boca para fora! Eu realmente vivi e descobri que
isso é possível! Nossa Mãe Clarividente nos ensinava isso muitos anos antes
de se falar na “atração”! Ela falava, escrevia, repetia e gravava: Seu
padrão vibratório é a sua sentença!
Kazagrande
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Sentimentos
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Em nossas vidas as
emoções trazem as maiores provações para o espírito encarnado.
Se observarmos com
atenção iremos verificar que a maioria absoluta de nossas aflições somente
acontecem no plano mental/emocional. Sofremos por antecipação qualquer
situação que consideramos negativa. Nos apegamos a pessoas, a coisas, a
desejos... e não percebemos que todo apego nos faz sofrer!
Nossos sentimentos de
posse, de amor obsessivo, nossas fantasias, tudo conduz a expectativas que
nem sempre podem ser realizadas pelo simples motivo de envolver o sentimento
e o processo criativo de outras pessoas.
Cada um tem sua
jornada na própria Individualidade! Não sabemos sequer do planejamento de
nosso próprio espírito, que tantas vezes contradiz a conduta de nossa
Personalidade atual, portanto não há motivo racional para sofrermos com
frustrações trazidas pelo comportamento de outras pessoas, cujo planejamento
pode estar ainda mais distante do que imaginamos.
Uma das máximas
deixadas por Tia Neiva era que jamais deveríamos escravizar sentimentos! E
muitos não entendem o sentido desta afirmação. Escravizar sentimentos é usar
subterfúgios para ter junto de nós pessoas que desejamos.
Tantas vezes usamos
desculpas e justificativas para manter relacionamentos, por diversos
interesses. E isso não está correto! O amor verdadeiro é livre e existe
por existir, não por “algum interesse”.
Pior quando médiuns
usam sua posição para criar ansiedades, expectativas... Sendo bem claro:
Quando em uma incorporação surgem comentários inúteis, ou quando um
Doutrinador, dotado do poder de persuasão, coloca-se na posição de que “sabe
das coisas”. Estes tipos de “videntes” são os médiuns que normalmente perdem
toda sua encarnação.
Não existe porque uma
Entidade de Luz sair revelando fatos de um passado longínquo para criar
ligações afetivas entre o Apará e o Doutrinador, ou paciente. Tudo que um
Mentor diz deve ter utilidade! Eles não vêm para brincar de faz de conta.
Trazem Luzes do Céu, semeando a esperança no coração dos que recebem a
mensagem, jamais ansiedades e desejos de “saber mais”. Qualquer
revelação é rara e deve ter uma utilidade prática real, ou... não é da Luz! É
interferência ou mistificação.
Não tem
super-doutrinador-vidente! As revelações de um Doutrinador são intuitivas e
somente para ele mesmo. Sair falando demais e semeando expectativas, ou
tentando conseguir “aproximações afetivas” usando a Doutrina ou sua
habilidade de manipular as palavras... Salve Deus! Como o preço é alto...
Normalmente muitos e muitos séculos de solidão em um etérico sombrio ou em
encarnações isoladas.
Excluindo estes
“falsos profetas”, nos resta buscar o controle e a liberdade de nossos
sentimentos. Amemos por amar! Amemos com um pouco mais de pureza, sem tantos
desejos... Ter uma pessoa ao lado para compartilhar nossas fantasias é algo
que todos querem, mas não precisa apego e obsessão. Liberte e seja livre!
Kazagrande
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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Aproveite com moderação
Muitos Espíritas, ingenuamente, julgam que a participação nas festas de Momo, tão do agrado dos brasileiros, não acarreta nenhum mal a nossa integridade psico-espiritual. E de fato, não haveria prejuízo maior, se todos pensassem e brincassem num clima sadio, de legítima confraternização, mas a realidade é bem diferente, infelizmente.
O
uso e abuso de bebidas alcoólicas, como agentes encorajadores da folia, a
atividade sexual irresponsável e o uso de drogas, dentre outros preparativos
carnavalescos,
acabam por transformar esse período em tempos difíceis
de estatísticas tristonhas de acidentes, assassinatos, doenças e confusões,
o
que exige muito trabalho dos benfeitores do plano
espiritual.
Sabemos,
entretanto, que tudo
sempre dependerá da nossa escolha na questão da associação
espiritual.
Afinal, qual seria o mérito daquele que só conseguisse manter seu padrão
vibratório positivo dentro dos centros espíritas? O
valor do aprendizado também está no desafio desse autoconhecimento, na
segurança da fé conquistada, na superação dos
obstáculos.
O carnaval não pode ser simplesmente rejeitado, mas vivenciado com a segurança do entendimento espírita de responsabilidade e bom senso, como uma festa popular que ainda tem lugar na escala evolutiva da Terra. Nada há de errado em se buscar a alegria, as manifestações de felicidade, desde que se questione os caminhos que levam a ela, para não cairmos nos enganos da felicidade aparente.
O
caminho a ser seguido precisa ficar bem claro, se não quisermos complicações
futuras: aquilo
que não é bom nos outros momentos da vida não pode ser positivo apenas porque é
carnaval.
E que no nosso estandarte permaneça como parâmetro a clássica e mais importante
mensagem: colocar-se no lugar do outro... sempre.
A Madrinha do Adjunto
A
Madrinha do Adjunto
As
funções da Madrinha de um Adjunto Arcano, são as mesmas da Madrinha de
qualquer Adjunto Koatay 108, somente existe um aumento substancial de
responsabilidade.
Tem
que procurar sempre estar presente em todas as jornadas do Mestre, pois passa
a fazer parte de sua força decrescente e é o sustentáculo deste povo que se
forma.
Nos
Rituais, nas Consagrações e mesmo onde aparentemente nem possa ser necessária
sua presença, estando presente o afilhado, ela deverá também estar. É uma
mãe, conselheira, fiel amiga e disciplinadora nas horas corretas. É a
Madrinha de todo um povo e será compartilhada entre todos. Também não poderá
querer o afilhado sempre próximo... Ela que deverá se fazer presente, mesmo
que silenciosamente, sem ser notada, mas atenta e sempre em condições de
participar se assim for solicitada. É uma missão de “Maria”, dificilmente
reconhecida quando ao lado de Jesus, mas a grande Mãe na ausência do mesmo.
Intercede e é amiga do povo.
A
vaidade é o vírus daninho que pode destruir sua missão. A arrogância, a pior
enfermidade. O orgulho, a perdição de sua encarnação.
Nestas
simples palavras procurei descrever a grandeza da humildade de uma verdadeira
Madrinha.
Kazagrande
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Carta nº. 4
CARTA ABERTA N.º 4
- MEU FILHO JAGUAR, SALVE DEUS! Esta carta
tem um sentido mais profundo de amor, porque tudo começou de maneira mais
original que já senti, vi e ouvi em toda a minha vida. Deus fez o homem para
viver cem anos neste mundo e ser feliz no livre arbítrio, onde ninguém é de
ninguém, na liberdade total da alma que aspira nas afinidades do
sentimentalismo; onde o sol e a lua, a chuva e o vento, tão distintamente
controlados afetam. Assumimos o compromisso de uma encarnação. Juntos
partimos não só pelas dívidas em reajustes como também pelos prazeres que
este planeta nos oferece. Sim, estando no espaço, devemos na Terra.
Sentimo-nos desolados e inseguros, porque estamos ligados pelas vibrações
contrárias. E neste exemplo, Jesus nos afirma que só reajustaremos por amor.
Tudo começou assim: Viajava para uma estação de águas e, na velocidade do
carro, uma linda mulher, marcando mais ou menos dois anos de desencarnada,
emparelhou ao meu lado e, como se estivéssemos parados, começou a contar a
sua vida, que muito me impressionou pela maneira natural. Morava ela na
cidadezinha por onde eu passara e amava perdidamente o seu esposo Antonê,
como ela o chamava. “Porém, perdi a segurança e comecei a sofrer e a fazê-lo
sofrer. Inimizei com toda a família. Passei a viver num suspense terrível. Se
saíamos para uma festa e ele estivesse alegre e feliz eu começava a me
torturar e acabava por manifestar qualquer mal, contanto que ele se sentisse
infeliz. E, estando triste, eu começava, também, as minhas suspeitas. Olha,
como martirizei a vida do meu pobre Antonê. Sim, de toda a família. Não tive
filhos, porque filhos me separariam, não dariam tempo de correr atrás do meu
marido. Pensava nos conselhos de minha sogra, conselhos tão queridos que me
davam mais suspeitas, até que rompi com toda a família. Então Antonê começou
a mentir-me. Um dia o vi conversando com uma moça que havia sido sua
namorada. Fiz um escândalo terrível. Porém, desta vez, ele permaneceu numa
atitude afirmativa e eu tive medo. Depois ele disse em tom firme: “De
hoje em diante, irei todos os dias à casa de minha pobre mãezinha, que
você destruiu. Você não me impedirá!” Sim, foi como se o mundo tivesse
rodado para mim. Ele parecia outro homem. A sua personalidade que eu não
conhecia. Desde então, fui perdendo o controle. Já agora, sentia imenso o que
havia perdido. Toda a minha arrogância, sem recursos para lutar, pois só
temos força quando estamos na lei de auxílio, amando ou por missão, porém,
não como eu, odiando. Comecei a sentir saudades do que havia perdido. Chegava
perto dele e, apesar de sua tristeza, ele sempre me correspondia. Pensei em
ter um filho, pois era o seu ideal. Fomos ao médico. Este, um velho
conhecido, disse, com a intimidade que tínhamos, que um filho não
encomendamos quando queremos. E, disse mais, pela minha expansão, falta de
controle, eu havia me descontrolado e precisava de tratamento e religião. Saí
dali pensando como recuperar o que estava perdido. Propus pedir perdão à
minha sogra, porém ele advertiu-me que minhas cunhadas ainda estavam sentidas
demais comigo. Não deveria, então, chegar até lá. Fiquei isolada, porém, ele
sempre meigo e cavalheiro comigo. Realmente me amava, Tínhamos uma fazenda
perto dali e ele, todos os dias, ia trabalhar sem a minha vigilância. Fazia
dois anos que eu havia me moderado, quando Antonê veio me pedir uma
assinatura para vender uma fazenda. “Fazenda? Eu não a conheço. Como você
comprou sem me dizer nada? Quem é que mora lá? Quem são as pessoas?” “Meu
Deus! Não há ninguém!” - afirmava ele. “Vou lá antes de você vender!” “Não!
Chega! - disse ele - Não suporto mais! E, quer saber? Não quero mais a sua
assinatura!“ E foi saindo. Antenor, o nosso vaqueiro, contou-me tudo o que
estava se passando: Emília, a professora e ex-namorada do meu marido, estava
lecionando num fazenda vizinha, mas ela não era amante dele. Eles apenas se
queixavam de suas infelicidades. “Porque se dirige a mim, D. Célia? Eu já vi
o Sr. Antonê sair daqui chorando, muitas vezes, dizendo: Se eu não amasse
tanto a Célia, um dia sairia daqui e não voltaria mais!...” “Chega! - gritei
- Não quero mais ouvir!” Antonê foi embora. Saí correndo até a casa da minha
sogra. Porém, Deus não deixou que eu o fizesse sofrer mais: Uma camioneta me
atropelou. Levaram-me para o hospital onde vim a falecer. Não falava, porém,
via a todos: Minha sogra, meu marido e algumas cunhadas. Meu marido chorava
com resignação. O padre veio e deu-me e extrema-unção. Foi só o que me
lembrei. E, por muitos anos, fiquei a vagar, sempre me lembrando das
palavras da extrema-unção: ressuscitar os mortos! Então tinha medo de me
afastar do cemitério e perder a oportunidade. Não encontrei nenhum morto que
fosse meu conhecido, apenas um ÍNDIO, insistindo para que eu deixasse meu
marido, enfim que eu abandonasse o meu mundo, aquela cidade onde era tudo
para mim, onde eu ainda tinha esperanças. Todos os dias, pela madrugada, um
silvo muito grande nos despertava e eu ficava na expectativa da ressurreição.
Como seria, se eu não conhecia nada que pudesse acreditar? Porém, a minha
mente estava tão habituada a crer nas minhas calúnias. Naturalmente, foi o
fenómeno habitual. Este silvo vinha de um lindo homem vestido como um
CENTURIÃO ROMANO, acompanhado de uma linda mulher, também romana. Diziam
coisas lindas, levavam pessoas com eles, porém, somente eu não me convencia.
Um dia, chegou um enterro. Pensei: Quem seria? Sete dias depois do enterro,
chegou Lazinha, uma mulher que se havia perdido e sempre estava presente. Nós
nos vimos e eu quis fugir, como sempre. Ela, porém, falou: “Célia! Aqui
também? Este é o mundo em que não pode existir orgulho!” E, com o mesmo
cinismo, desafiava-me com o olhar. Novamente, começou a contar o que havia
sucedido: “Antonê viajou. Inácio, seu cunhado, quase matou Zeca, chofer da
camioneta que te matou!” Depois, arrematando, disse: “Sabe, vou embora daqui.
Sim, uma coisa muito falada na cidade: Ninguém foi ao seu enterro!” Sim,
pensei - no entanto, no seu Lazinha, foi tanta gente! “Ah! - disse ela -
graças a deus! Nunca infernizei a vida de ninguém, nem nunca levantei calúnia
a ninguém. Nem mesmo condenei Fulgêncio, que me desonrou. Meus pais me
puseram para fora da fazenda. Sofri, porém, não condenei ninguém. Hoje estão
arrependidos e eu me saí bem com todos. Agora vou me embora!...” “Para onde?”
- perguntei. Nisto, um ÍNDIO, que se dizia chamar TUCURUY, foi levando-a pela
mão. Comecei a gritar: Ressurreição, ressurreição!... Não há ressurreição!
Não para mim, uma cínica como eu! Oh!, meu Deus! Como pude viver acusando e
caluniando as pessoas. O que fiz! Nisto, vi ao longe, lá na sepultura, Emília
e Antonê, ajoelhados, colocando uma rosa vermelha na sepultura, dizendo
algumas palavras. Fiquei onde estava e, pela primeira vez, senti-me aliviada.
Emília, a quem tanto caluniei... Logo que saíram, corri para lá e abracei a
minha rosa, a última esperança na Terra, pedindo a Deus por Emília e Antonê.
Nada me levaria à ressurreição. Esta rosa é minha última esperança de um
perdão. Se Emília me perdoa, todo mundo me perdoará! Fiquei ali extasiada,
não sei por quanto tempo, até que TUCURUY, o mesmo índio que levou Lazinha,
me entregou à senhora, Tia Neiva.” Meus filhos, eu então, me lembrei do que
ensino: A MINHA MISSÃO É O MEU SACERDÓCIO. Mesmo naquela viagem de estação de
águas eu era a mesma sacerdotisa dos templos. Encaminhei-a com amor. E com o
mesmo amor que entreguei meus olhos, que somente Jesus é testemunha, se, por
vaidade, eu me afastar um dia.
CARINHOSAMENTE, A MÃE EM CRISTO. (Tia Neiva,
9.10.77)
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