quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Quando se paga com dinheiro


 

A forma “mais barata” de pagar uma cobrança espiritual é com dinheiro.

Muitas vezes nos revoltamos quando sofremos perdas materiais, quando sofremos uma injustiça que nos gera grandes prejuízos econômicos ou nos deparamos com pessoas mesquinhas, que, aproveitando-se de uma situação, querem nos explorar e receber muito mais do que aparentemente lhes é de direito ou mesmo de bom senso.

Nestas horas é preciso refletir muito, evitar cair em desequilíbrio e controlar nosso padrão vibratório, para não gerar uma nova corrente negativa que nos envolve e acaba gerando um verdadeiro “efeito cascata” em nossas vidas, atraindo novas dívidas e mais pessoas mesquinhas.

Sofrer uma injustiça, ou ter um grande prejuízo material é muito pouco face a tantos atos do passado que ainda temos que reequilibrar. Nosso karma, de espírito líder, de guerreiros, é pesado, e toda energia um dia desequilibrada, terá que ser reajustada. Lembremos ainda que estamos com a possibilidade de ser esta nossa última encarnação terrestre, e por conseguinte, as oportunidades de reajustes chegam velozmente.

E quando a cobrança vem em forma de lhe tirar a saúde? Ou pela traição da pessoa amada? Ou ainda pela perseguição insensata e odiosa daqueles que um dia ferimos por não saber amar? Seria muito pior!

A maneira mais simples e barata de pagar um reajuste é “com dinheiro”. As perdas materiais podem ter um grande significado, mas é apenas momentâneo! Dinheiro se atrai novamente, emprego encontra-se outro... Mas e a saúde? E a forte dor moral da traição?

Não é hora de esbravejar e sentir-se o mais injustiçado dos mortais ao viver seus prejuízos materiais.

É hora de agradecer! Agradecer pela oportunidade do reajuste, e pedir que consiga manter o equilíbrio para superar esta etapa e ver que somos reflexos de nossas reações, de nossa atitude mental ao nos depararmos com as dificuldades. Se aprendemos a reagir bem, a encarar o lado positivo dos fatos (e sempre há uma maneira para isso), iremos superar com mais facilidade e semear novos e agora positivos encontros!

É natural sentir uma revolta inicial, mas esta não pode passar dos primeiros minutos até a reflexão chegar e trazer de novo o necessário equilíbrio e positividade. Como médiuns e principalmente como Jaguares, não podemos permitir mais do que alguns minutos negativos, pelo impacto inicial, mas absorvida a energia, manipulada pela nosso plexo e consciência, voltamos a sobriedade que pregada pelo Divino Mestre: Amor, HUMILDADE e TOLERÂNCIA.

Kazagrande

Os Nomes de Nossos Mentores


 

Uma grande ansiedade, para a maioria de nós, é conhecer o nome de nossos Mentores, sejam Princesas, Pretos Velhos e Pretas Velhas, Caboclos, Médicos de Cura, Cavaleiros e Guias Missionárias, Ministros.

Como é gratificante, desde os primeiros passos doutrinários, este benéfico contato e conhecimento, ou reconhecimento.

Para o Doutrinador(a), que escolhe sua Princesa e depois irá receber nas Consagrações os nomes de Cavaleiro (Guia Missionária) e Ministro, é mais simples.

Já o Apará tem que identificar os primeiros nomes. Suas dúvidas ficam por conta, principalmente, da eterna questão: Será que é este mesmo o nome que recebi? Ele conta somente com aquele momento da incorporação para buscar esta identificação. Por vezes já ouviu nomes com os quais se afinizou, e teme estar interferindo, colocando sua vontade acima da intuição. Para um Doutrinador pode parecer uma dúvida boba, mas para ele, que irá carregar a plaquinha com o nome da Entidade, tem um peso enorme.

Questiona-se como pode estar incorporada com Vovó Catarina das Cachoeiras, se fica sabendo que naquele mesmo momento tem outra Vovó com o mesmo nome incorporada? Aí já entra a dúvida: Será que a minha não era Cambina das Cachoeiras, ou Catarina das Águas? Como pode a Entidade dividir-se?

Vamos analisar por partes, primeiramente a questão da originalidade do nome.
Tomemos o nome de Vovó Catarina das Cachoeiras, por exemplo. Uma das Entidades que mais freqüentemente está presente em todos os trabalhos de Tronos. Nos grandes Templos mesmo, é difícil um trabalho em que não tenha ao menos uma incorporada. Mas como? Existe mais de uma?

Bem, o quê é o “nome” de uma Entidade? Vejamos: Sua Entidade “principal”, o Preto Velho ou Preta Velha, usa uma roupagem para apresentar-se como tal. Sim! Não quer dizer que necessariamente aquele espírito, que assim se apresenta, tenha tido uma encarnação como escravo, ou escrava. Ele é o seu mentor que vem na roupagem padrão do Vale do Amanhecer, obedecendo as nossas leis e trabalhando seu desenvolvimento espiritual. Pode ser que nunca tenha tido uma encarnação na época da escravidão, mas assim se apresenta, porque esta é a roupagem de Mentor do Vale do Amanhecer. Dificilmente seu nome espiritual, seu nome verdadeiro, será o mesmo com que se apresenta durante o uso da roupagem.

Ele vai escolher uma roupagem dentro de uma falange de Pretos Velhos e se apresentar com o nome do mentor daquela Falange. Filia-se a Falange de Vovó Catarina das Cachoeiras e apresenta-se como tal. Por isso, quando buscamos um “retrato”, feito pelo nosso artista oficial (Vilela), as imagens de Entidades com o mesmo nome são tão diferentes. Aquela retratada é a Vovó Catarina daquela médium! É roupagem daquela Entidade específica, que é mentora da médium que a incorpora.

E se eu errar o nome? Se ainda inseguro, inexperiente, no início do Desenvolvimento, der um nome diferente do que a Entidade tinha escolhido? Como é que vai ficar isso espiritualmente?

Espiritualmente uma Entidade de Luz não vai deixar de lhe atender se você chamá-la de João ou José. O quê chega não é a sua voz, e sim sua energia, sua sintonia buscando o contato. Você não sabe o seu nome espiritual, aquele que você irá assumir ao deixar o plano físico e, se tiver merecimento, ingressar em sua nova vida, livre dos restos cármicos, porém não deixará de me atender quando eu lhe procurar pelo seu nome terreno, a energia que nos liga permanecerá, e chegará até você quando a prece for dirigida.

Outro fato é que até o momento do emplacamento tudo pode mudar. Uma energia diferente pode chegar, e seu mentor se apresentar com outra roupagem, ou mesmo uma Entidade diferente da que participou de seu desenvolvimento de forma ativa, e na última hora, vem um nome totalmente diferente do que lhe acompanhou nas aulas.

Para evitar a vulgarização de nomes de nossas principais Entidades, as que participaram na implantação da Doutrina do Amanhecer, Mãe Tildes, Pai João e Pai Zé Pedro de Enoque, entre outros, o emplacamento não se realiza com estes nomes. Mas nada impede que eles, ou outros membros desta falange bendita, venham a incorporar e trabalhar quando necessário. Temos que evitar os egos daqueles que com certeza iriam querer aparecer, usando estes nomes nas plaquinhas. Para as Entidades, não importa como sejam chamadas, importa é a sintonia que o médium tem ao invocá-las.

Os nomes de Ministros, Cavaleiros e Guias Missionárias têm um processo diferente, pois você não participa diretamente de sua escolha. É uma missão específica dos Devas. Lembro que nas primeiras Consagrações, teve um Mestre que recebeu o “Ministro Ajarã” o mesmo nome do Ministro do Trino. Medidas para evitar que acontecesse de novo, também foram tomadas.

Considerando que o quê efetivamente nos é passado, é energético, espiritual e vibracional, posso afirmar, com certeza, que muitas vezes nos Tronos chegam Entidades de Alta Hierarquia para realizar o atendimento, sem a necessidade de identificarem-se, usando a roupagem de um Humilde Preto Velho.

Kazagrande

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Maturidade no Exilio


 

Em nossa caminhada dentro da Doutrina passamos por diversas fases. Ingressamos normalmente pela dor e mesmo aqueles que chegam pelo amor, movidos pela herança familiar dentro da Doutrina, passam por momentos em que acabam se apegando, ou redescobrindo a ciência espiritual que nos permite deixar a velha estrada e trilhar com segurança a nova Escola do Caminho.

Ao chegarmos, somos tomados por um sentimento de fascinação. Queremos aprender logo, crescer doutrinariamente, buscar classificações e com isso mais forças para melhor servir. É natural a ansiedade em buscar novas classificações, e normalmente este sentimento é puro e visa tão somente novos horizontes, para novos trabalhos e maior aproveitamento da missão.

É um engano, que descobrimos com o passar dos anos...

Logo após os primeiros passos vem uma certa decepção, em maior ou menor nível. Nos decepcionamos com irmãos “mais velhos de casa” e que teoricamente já deveriam ter muito a nos ensinar, e, no entanto, continuam arraigados aos seus sonhos materiais da personalidade. Encontramos mentirosos, iludidos, falsos videntes, e, invariavelmente, nossos cobradores...

Em qualquer grupo doutrinário, religioso, filosófico ou social, existem membros que não compreendem a essência da instituição e os verdadeiros valores espirituais que são proferidos. Não somos diferentes neste aspecto! Somos iguais a qualquer agrupamento humano composto de personalidades das mais diversas estirpes e caracteres. A única certeza é que todos irão evoluir, mais cedo, ou, mais tarde... Estamos a caminho, é o que verdadeiramente importa!

Pensem como poderia ser pior encontrar seu mais terrível cobrador pelas ruas, no trabalho, ou mesmo em casa, na família! Ao encontramos na Doutrina, por pior que possa ser sua conduta, devemos ter em conta que ele, por algum motivo, está tentando... Está procurando compreender o quê o levou a esta Doutrina e o quê será a sua missão.

A intolerância e a falta de amor, da parte de alguns, não poderá jamais suplantar o incondicional amor da Mãe que nos uniu nesta jornada!

Somos uma tribo que já teve outras encarnações em conjunto e por conseguinte, existiram desajustes. Obviamente o ideal seria que todos compreendessem o novo caminho trazido pelo Divino Mestre, onde a Lei do Perdão substitui o “dente por dente, olho por olho”. O ciclo Kármico da expiação foi rompido e agora a Caridade e o Perdão podem prescrever nossos restos Kármicos. A isso Pai Seta Branca se referiu em sua Mensagem! Não precisamos mais cobrar “centil por centil”, podemos perdoar e semear o perdão para quando chegar nossa hora de pedir perdão, possamos ter o quê apresentar.

Os melhores anos de nossa jornada doutrinária são os que passamos de “branquinho”. Quando ainda somos Aspirantes ou apenas Iniciados. É necessário que busquemos cada vez mais o entusiasmo, a dedicação, a pureza do “branquinho”. Que lembremos que entre um Arcano e um Aspirante, não real diferença: São todos Trabalhadores da Luz!

Novas classificações, novos trabalhos e missões, chegam com o tempo e se necessário for, vem ao seu encontro e de maneira natural, sem forçar. Nosso “exército” não é para ser olhado pelo plano físico, onde posições são honrarias! Nossas classificações são espirituais e somente valem alguma coisa se forem merecidas, se forem efetivadas espiritualmente. Lembro de mim, há muitos anos, quando recebi o Rama 2000 e, todo orgulhoso, agradecia a Pai João... Sabem o quê ele me disse? – “Meu Filho, nos planos espirituais você já está quase conquistando o direito de usar seu colete de Iniciado”. Salve Deus!

Não vemos nada mesmo... Peço ao Pai todos os dias para jamais me envaidecer novamente e confesso que, se até o fim desta minha jornada física, conquistar o direito de entrar de “branquinho” no Canal Vermelho, já estará bom!

Nos Tronos e na Mesa temos nas mãos a verdadeira caridade a ser prestada: a caridade ao desconhecido, encarnado e desencarnado que não conhecemos e que nada pode nos dar em retribuição. O perdão podemos praticar a cada dia. Perdoando a nós mesmo e nossos passados, e a toda e qualquer ofensa recebida.

Caridade e Perdão! Eis as chaves reais para a evolução e para mudar nossas vidas, para “prescrever nossos restos Kármicos”.

Kazagrande

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Reflexão


 
VOCÊ E O FUNDO DO POÇO

Salve Deus!

"De certo já ouvistes a frase “do fundo do poço ninguém passa”. Nada mais
óbvio visto que se já se está no fundo, não tem mais para onde ir.

O que se deve perceber é que o “fundo do poço” é um estado emocional, gerado
pelo hábito de muitas pessoas sempre acharem que seus problemas são os
maiores do mundo.

As circunstâncias não estão boas, pronto, lá vem o desespero e o famoso
“estou arrassado”, “o que faço meu Deus!”, “por que comigo”, “eu não mereço
isto”, e por aí vai... Sempre se ocupando com o próprio umbigo.

Sempre haverá alguém mais feliz assim como mais triste do que nós. Estamos
todos em processo de busca. Busca por uma vida melhor, por amar, ser amado,
produzir para o mundo, curtir o que a vida nos oferece. Não há clímax, nem
para um lado nem para o outro. Não há felicidade completa nem tristeza
completa, existe um caminhar. E se a situação no momento não está boa, a
viva com ânimo e sabedoria de quem sabe que esta fase logo irá passar. E
quando passar, aproveite, estando atento a qualquer revés.

E assim seguimos na vida. Nos altos e baixos, navegando por este mar de
possibilidades sempre aprendendo.

Não. Não existe “fundo do poço”, existe sim, uma alma que se entrega ao
desânimo e diante disto, tudo se torna sem luz. Ou seja, o “fundo do poço” é
nosso olhar de desesperança. Acredite em você. Respire fundo e diga, a vida
continua, a vida é possibilidade, logo logo, virá a idéia, a chance, o golpe
de sorte, a oportunidade, o retorno do que há de melhor para mim.

E você? Como está o momento agora? Ruim, então vai melhorar, aja. Está
ótimo, então não relaxe e tente manter o máximo que puder. E assim seguimos
nesta jornada da Vida, neste eterno aprendizado de Viver!

Salve Deus



domingo, 11 de setembro de 2011

Jesus


 


 

O Cristo

3. Jesus não veio destruir a lei, isto é, a lei de Deus; veio cumpri-la, isto é, desenvolvê-la, dar-lhe o verdadeiro sentido e adaptá-la ao grau de adiantamento dos homens. Por isso é que se nos depara, nessa lei, o principio dos deveres para com Deus e para com o próximo, base da sua doutrina. Quanto às leis de Moisés, propriamente ditas, ele, ao contrário, as modificou profundamente, quer na substancia, quer na forma. Combatendo constantemente o abuso das práticas exteriores e as falsas interpretações, por mais radical reforma não podia fazê-las passar, do que as reduzindo a esta única prescrição: "Amar a Deus acima de todas as coisas e o próximo como a si mesmo", e acrescentando: aí estão a lei toda e os profetas. 
Por estas palavras: "O céu e a Terra não passarão sem que tudo esteja cumprido até o último iota", quis dizer Jesus ser necessário que a lei de Deus tivesse cumprimento integral, isto é, fosse praticada na Terra inteira, em toda a sua pureza, com todas as suas ampliações e conseqüências. Efetivamente, de que serviria haver sido promulgada aquela lei, se ela devesse constituir privilégio de alguns homens, ou, sequer, de um único povo? Sendo filhos de Deus todos os homens, todos, sem distinção nenhuma, são objeto da mesma solicitude. 
4. Mas, o papel de Jesus não foi o de um simples legislador moralista, tendo por exclusiva autoridade a sua palavra. Cabia-lhe dar cumprimento às profecias que lhe anunciaram o advento; a autoridade lhe vinha da natureza excepcional do seu Espírito e da sua missão divina. Ele viera ensinar aos homens que a verdadeira vida não é a que transcorre na Terra e sim a que é vivida no reino dos céus; viera ensinar-lhes o caminho que a esse reino conduz, os meios de eles se reconciliarem com Deus e de pressentirem esses meios na marcha das coisas por vir, para a realização dos destinos humanos. Entretanto, não disse tudo, limitando-se, respeito a muitos pontos, a lançar o gérmen de verdades que, segundo ele próprio o declarou, ainda não podiam ser compreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais ou menos implícitos. Para ser apreendido o sentido oculto de algumas palavras suas, mister se fazia que novas idéias e novos conhecimentos lhes trouxessem a chave indispensável, idéias que, porém, não podiam surgir antes que o espírito humano houvesse alcançado um certo grau de madureza. A Ciência tinha de contribuir poderosamente para a eclosão e o desenvolvimento de tais idéias. Importava, pois, dar à Ciência tempo para progredir. 

(O Evangelho Segundo o Espiritismo - Capítulo I)


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Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ou os profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los: - porquanto, em verdade vos digo que o céu e a Terra não passarão, sem que tudo o que se acha na lei esteja perfeitamente cumprido, enquanto reste um único iota e um único ponto.
                    
                                                                                        JESUS

(Novo Testamento - Mateus Capítulo 5:17:18)

sábado, 10 de setembro de 2011

O Paciente




Texto de Tony Duda – Mestre Lua     

Quando nos tornamos missionários da Casa do Pai, nem sempre percebemos as reais necessidades dos pacientes, que chegam ao Templo em busca de uma palavra, um consolo, uma solução, uma cura, um atendimento...

Colocamos nosso uniforme, nos mediunizamos e nos entregamos à Espiritualidade.

Participamos de alguns trabalhos, olhamos para o relógio, encerramos e vamos embora. Afinal, fizemos nossa parte e cumprimos nossa missão por aquele dia, não é mesmo?

Aparentemente, sim! Mas redescobri que nem sempre é ocorre como pensamos. Nossa missão naquele dia talvez ainda não tenha encerrado de fato.

Reaprendi isso quando eu estava adoentado, na semana de minha Consagração, e resolvi ir ao Pronto Socorro Universal na condição de paciente, já que dois médicos não sabiam do que se tratava. Sai do hospital e fui direto ao Templo, onde lá cheguei pouco depois das 21 horas. Ao aproximar-me do Setor de Tronos, o Comandante informou que o atendimento havia encerrado me virtude da hora, porém adiantou que se o Presidente do dia permitisse, tudo bem. Fui até ele e perguntei se eu ainda poderia me consultar. Ele olhou para mim, olhou para o relógio e concedeu.

Voltei ao trono, vi onde estava o fim da fila e, em silêncio, mentalizando a Espiritualidade, aguardei a minha vez.

Neste momento recordei da orientação dos Instrutores, de que muitos Mestres trazem problemas quando estão na condição de pacientes, porque querem prioridades. Entendi que deveria fazer por merecer aquele atendimento, sem recorrer aregalias.

A minha vez

Lembrei que, quando ainda estava no consultório, antes de ir ao Templo naquela noite, uma senhora chegou irritada porque não havia conseguido prioridade no atendimento, mesmo estando com um bebê. A atendente então se dirigiu a mim e perguntou se eu poderia ceder minha vez àquela senhora. Prontamente disse que sim. Lembrei ainda que quando estamos na condição de prisioneiros, por exemplo, a gente não deveria ceder mais? Ficar mais tolerantes? E se aquela senhora estivesse precisando mais do que eu? Assim como no hospital, eu deveria fazer por merecer e aguardar minha vez ali no Templo.

A hora avançava e, aos poucos, os Tronos iam encerrando um a um. O Comandante tentava emplacar mais um paciente, mas nem sempre tinha êxito.
Perto das 23 horas a maioria dos Tronos havia encerrado. Além de mim, havia outros dois pacientes na minha frente para serem atendidos e um trabalho especial.

Nessa hora, fiquei pensando: "Não era para eu estar aqui pedindo e sim me doando". Mas realmente não tinha condições físicas de colocar o uniforme e prestar a caridade. Doía minha cabeça,  coluna e os “ossos das pernas”... Meu corpo estava fraco. Era incômodo ficar sentado e de pé não agüentava.

Precisava ter paciência e se fazer merecedor de chegar a um Preto Velho.

No banco de espera

As horas corriam e os Comandantes gentilmente tentavam segurar os aparelhos. Até que os dois últimos tronos sinalizaram que não iriam mais atender. Aí apelei a Pai João de Enoque. Disse que estaria nas mãos dele e se fosse de meu merecimento e de algum espírito sofredor que porventura me acompanhasse, que segurasse ainda algum preto velho ali nos Tronos. Baixei a cabeça e fiquei mentalizando. Nesta hora um preto velho mandou chamar o Comandante para falar de tanta demora nos atendimentos. Comecei a chorar.

O Comandante pediu que eu tivesse calma, pois nem que ele tivesse que “garimpar” algum Apará no entorno do Templo, para seguir o trabalho, ele deixaria alguém sair sem atendimento.

Todos os demais trabalhos haviam encerrado e eu era o último paciente daquela noite. Só estava eu ali no banco de espera, os Comandantes dos Tronos, o último Trono Aberto e o Presidente do Dia.

Como o ambiente estava em silêncio, ouvi o Mentor dizer ao Comandante que tudo tem a hora de acontecer. Como se os louros, as pérolas de todo o dia de trabalho estivessem concentradas naquele exato momento.

A lição

Esse instante foi muito singelo para mim, pois me deixou uma grande lição: de que precisamos estar prontos para servir. De que somente recordando quando fomos pacientes ou mesmo voltando a sentir na pele a fila de espera, para compreender e reaprender nossa real necessidade de prestar a caridade e não apenas ficar preocupado em encerrar o expediente e seguir para casa.

Quantos pacientes não chegam ao Templo em busca de um atendimento ou para passar por um trabalho, que muitas vezes não acontece por falta de Mestres para completar? Quantos não depositam em nós a esperança e a cura? Se não fosse assim, para que um paciente ficaria até altas horas da noite, sentado em um banco duro de cimento aguardando, como eu fiquei?

Tenho a impressão de que naquela noite outras lições ficaram marcadas. Para o Presidente, que permitiu meu atendimento, pois ele poderia ter dito que os trabalhos haviam encerrado e pronto! Para os comandantes, que viram que eu estava precisando e não era capricho. Para o Doutrinador, que se compadeceu com a situação e se manteve firme para não encerrar o atendimento. E ao aparelho, que permitiu mais uma vez que a Entidade pudesse fazer seu trabalho de luz e caridade. Para mim, tudo serviu de aprendizado e o Preto Velho confirmou isso no Trono. Agradeço muito por esse momento. Sai de lá renovado no físico e no espiritual.

Tony – Mestre Lua

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Na cura da obsessão


 


Reconhecer no obsidiado, seja ele quem for, um
familiar doente a quem se deve o máximo de
consideração e assistência.
Equilibrar a palavra socorredora, dosando consolo
e esclarecimento, brandura e energia.
Não desconsiderar as necessidades do corpo ante
os desbaratos da alma, conjugando os recursos da
medicação e do passe, da higiene e da prece.
Incluir o trabalho por agente curativo, de acordo
com as possibilidades e forças do paciente.
Abolir as sugestões de medo no trato com o obsesso,
evitando encorajar ou consolidar o assalto de entidades
menos felizes.
Tratar os Espíritos perturbados que, porventura,
se comuniquem no ambiente do enfermo, não à conta
de verdugos e sim na categoria de irmãos credores
de assistência e piedade.
Impedir comentários em torno da conversação desequilibrada
ou deprimente dos desencarnados infelizes.
Policiar modos e frases que exteriorize, convencendo-
se de que o obsidiado, não raro, representa, só por si,
toda uma falange de Inteligências necessitadas de reconforto
e direção, conquanto invisíveis aos olhos comuns.
Evitar suscetibilidades perante supostas ofensas
no clima familiar do obsidiado, entendendo que
uma obsessão instalada em determinado ambiente
assemelha-se, às vezes, a um quisto no corpo, deitando
raízes em direções variadas.
Compreender ao invés de emocionar-se.
Abster-se de tabus e rituais, cujos efeitos nocivos
permanecerão na mente do obsidiado depois da própria
cura.
Solicitar a cooperação de amigos esclarecidos que
possam prestar auxílios ao doente.
Controlar-se.
Desinteressar-se com os sucessos da cura, tendo
em mente que lhe cabe fazer o bem com discrição e
humildade.
Ensinar, mas igualmente exercer a caridade, observando
que, em muitos casos, o obsidiado e os que lhe
compõem a equipe doméstica são pessoas necessitadas
até mesmo do alimento comum.
Suprimir, quanto possível, os elementos que recordem
tristeza ou desânimo, aflição ou tensão no
trabalho que realiza.
Não atribuir a si os resultados encorajadores do
tratamento, menosprezando a ação oculta e providencial
dos Bons Espíritos.
Educar o obsidiado nos princípios espíritas,
encaminhando-o a um templo doutrinário em
que possa assimilar as lições lógicas e simples do
Espiritismo.
Socorrer sem exigir.
Amparar o companheiro necessitado, sem propósitos
de censura, ainda mesmo que surjam
motivos aparentes que o induzam a isso, recordando
que Jesus Cristo, o iniciador da desobsessão
sobre a Terra, curava os obsidiados sem ferir ou
condenar a nenhum.


Espíritos Emmanuel e André Luiz.