sexta-feira, 9 de setembro de 2016

EVANGELHO QUOTIDIANO

"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68


1ª Carta aos Coríntios 9,16-19.22b-27.
Irmãos: Anunciar o Evangelho não é para mim um título de glória, é uma obrigação que me foi imposta. Ai de mim se não anunciar o Evangelho!
Se o fizesse por minha iniciativa, teria direito a recompensa. Mas, como não o faço por minha iniciativa, desempenho apenas um cargo que me está confiado.
Em que consiste, então, a minha recompensa? Em anunciar gratuitamente o Evangelho, sem fazer valer os direitos que o Evangelho me confere.
Livre como sou em relação a todos, de todos me fiz escravo, para ganhar o maior número possível.
Com os fracos tornei-me fraco, a fim de ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo.
E tudo faço por causa do Evangelho, para me tornar participante dos seus bens.
Não sabeis que os que correm no estádio correm todos, mas só um ganha o prémio? Correi, pois, assim, para o alcançardes.
Os atletas impõem a si mesmos toda a espécie de privações: eles, para ganhar uma coroa corruptível; nós, porém, para ganhar uma coroa incorruptível.
Assim, também eu corro, mas não às cegas; dou golpes, mas não no ar.
Castigo o meu corpo e mantenho-o submisso, para que não aconteça que, tendo pregado aos outros, venha eu próprio a ser eliminado.

Livro de Salmos 84(83),3.4.5-6.12.
A minha alma suspira ansiosamente
pelos átrios do Senhor.
O meu ser e a minha carne
exultam no Deus vivo.

Até as aves do céu encontram abrigo
e as andorinhas um ninho para os seus filhos,
junto dos vossos altares, Senhor dos Exércitos,
meu Rei e meu Deus.

Felizes os que moram em vossa casa:
podem louvar-Vos continuamente.
Felizes os que em Vós encontram a sua força,
os que trazem no coração os caminhos do santuário.

Porque o Senhor é sol e é escudo;
Ele concede a graça e a glória;
o Senhor não recusa os seus favores
aos que vivem com rectidão.



Evangelho segundo S. Lucas 6,39-42.
Naquele tempo, disse Jesus aos discípulos a seguinte parábola: «Poderá um cego guiar outro cego? Não cairão os dois nalguma cova?
O discípulo não é superior ao mestre, mas todo o discípulo perfeito deverá ser como o seu mestre.
Porque vês o argueiro que o teu irmão tem na vista e não reparas na trave que está na tua?
Como podes dizer a teu irmão: ‘Irmão, deixa-me tirar o argueiro que tens na vista’, se tu não vês a trave que está na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e então verás bem para tirar o argueiro da vista do teu irmão.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Liturgia espanhola moçárabe
Prefácio eucarístico para o 2.º Domingo da Quaresma ; PL 85, 322
«Poderá um cego guiar outro cego?»

É justo e bom darmos-Vos graças, Senhor, Pai Santo, Deus eterno e omnipotente, por Jesus Cristo, vosso Filho, Nosso Senhor. […] Ele veio a este mundo para proceder ao juízo, de modo que os cegos vissem e os que viam ficassem cegos (Jo 9,39). Os que se reconheceram nas trevas do erro receberam a luz eterna que os libertou da escuridão das suas faltas. E os arrogantes que pretendiam estar de posse da luz da justiça foram lançados, com razão, nas suas próprias trevas. Assoberbados pelo orgulho e seguros da sua justiça, não procuravam médico que os curasse. Podiam ter tido acesso ao Pai de Jesus, que declarou ser a porta (Jo 10,7) mas, tendo-se feito valer insolentemente dos seus méritos, mantiveram-se na sua cegueira.

Por isso, humildemente vimos até Vós, Pai Santo, e sem presumir dos nossos méritos, abrimos a nossa ferida diante do vosso altar. Confessamos as trevas dos nossos erros, mostramos as sinuosidades da nossa consciência. Possamos nós encontrar, Vos suplicamos, remédio para a nossa ferida, a luz eterna no meio das trevas, a pureza da inocência na nossa consciência. Queremos, com todas as forças, contemplar o vosso rosto […], desejamos ver o céu […].

Vinde até nós, Jesus, em cujo templo oramos, e curai-nos neste dia, Vós que, para operar prodígios, ignorastes o sabbat […]. Vós, que do nada nos fizestes, preparai um unguento e aplicai-no-lo nos olhos do coração. […] Escutai a nossa oração e retirai a cegueira dos nossos pecados, para que possamos ver a glória do vosso rosto na paz da bem-aventurança eterna.

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

EVANGELHO QUOTIDIANO

"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68


1ª Carta aos Coríntios 7,25-31.
Irmãos: A respeito de quem é solteiro, não tenho nenhum preceito do Senhor, mas dou um conselho, como homem que, pela misericórdia do Senhor, é digno de confiança.
Julgo, pois, que essa condição é boa, por causa das angústias presentes; sim, é bom para o homem continuar assim.
Estás comprometido com uma mulher? Não procures romper o vínculo. Não estás comprometido? Não procures mulher.
Todavia, se te casares, não pecas; e se uma virgem se casar, também não peca. Mas estes terão de suportar as tribulações corporais e eu quisera poupar-vos a elas.
Eis o que vos digo, irmãos: o tempo é breve. De agora em diante, os que têm mulher, vivam como se não a tivessem;
os que choram, como se não chorassem; os que andam alegres, como se não andassem; os que compram, como se não possuíssem;
os que utilizam este mundo, como se realmente não o utilizassem. De facto, o cenário deste mundo é passageiro.

Livro de Salmos 45(44),11-12.14-15.16-17.
Ouve, filha, vê e presta atenção,
esquece o teu povo e a casa de teu pai.
Da tua beleza se enamora o Rei,
Ele é o teu Senhor, presta-Lhe homenagem.

A filha do Rei avança cheia de esplendor,
de brocados de ouro são os seus vestidos.
Com um manto multicolor é apresentada ao Rei,
seguem-na as donzelas, suas companheiras.

Cheias de alegria e entusiasmo,
entram no palácio do Rei.
Teus filhos substituirão os teus pais,
estabelecê-los-ás príncipes sobre toda a terra.



Evangelho segundo S. Lucas 6,20-26.
Naquele tempo, Jesus, erguendo os olhos para os discípulos, disse: «Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus.
Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.
Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e proscreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem.
Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa. Era assim que os seus antepassados tratavam os profetas.
Mas ai de vós, os ricos, porque já recebestes a vossa consolação.
Ai de vós, que agora estais saciados, porque haveis de ter fome. Ai de vós, que rides agora, porque haveis de entristecer-vos e chorar.
Ai de vós, quando todos os homens vos elogiarem. Era assim que os seus antepassados tratavam os falsos profetas».


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

São Gregório de Nissa (c. 335-395), monge, bispo
Homilias sobre as Bem-aventuranças, 1
«Bem-aventurados vós, os pobres»

Como quase todos os homens são naturalmente conduzidos ao orgulho, o Senhor começa as bem-aventuranças por afastar o mal original da autossuficiência, aconselhando-nos a imitar o verdadeiro Pobre voluntário que é verdadeiramente feliz – de maneira a parecermo-nos com Ele por via da pobreza voluntária, segundo as nossas capacidades, para participarmos na sua bem-aventurança, na sua felicidade. «Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus: Ele, que era de condição divina, não reivindicou o direito de ser equiparado a Deus. Mas despojou-Se a Si mesmo, tomando a condição de servo» (Fil 2,5-7).

Haverá coisa mais miserável para Deus do que tomar a condição de servo? Haverá coisa mais ínfima para o Rei do universo do que partilhar a nossa natureza humana? O Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Juiz do universo, paga impostos a César (1Tim 6,17; Heb 12,23; Mc 12,17). O Senhor da criação abraça este mundo, vem por uma gruta por não ter lugar na estalagem, refugia-Se num estábulo, na companhia de animais. Aquele que é puro e imaculado toma sobre Si as manchas da natureza humana e, depois de ter partilhado toda a nossa miséria, vai a ponto de fazer a experiência da morte. Considera a desmesura da sua pobreza voluntária! A Vida toma o gosto da morte, o Juiz é levado a tribunal, o Senhor da vida de todos submete-Se a um magistrado, o Rei das potências celestes não Se subtrai às mãos dos carrascos. É por estes exemplos, diz o apóstolo Paulo, que podemos medir a sua humildade (Fil 2,5-7).

#700 O genuino Evangelho

terça-feira, 6 de setembro de 2016

EVANGELHO QUOTIDIANO


"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68


1ª Carta aos Coríntios 5,1-8.
Irmãos: Ouve-se dizer por toda a parte que existe entre vós um caso de imoralidade, e uma imoralidade como não se encontra nem mesmo entre os pagãos: um de vós vive com a mulher de seu pai.
E continuais cheios de orgulho, em vez de andardes de luto, a fim de que seja retirado do meio de vós o autor de tal acção.
Quanto a mim, ausente de corpo mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim procedeu:
em nome do Senhor Jesus e com o seu poder, por ocasião de uma assembleia onde eu estarei presente em espírito, que
tal homem seja entregue a Satanás para mortificação da sua carne, a fim de que o seu espírito seja salvo no Dia do Senhor.
Não é digno o vosso motivo de orgulho! Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?
Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, já que sois pães ázimos. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.
Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da pureza e da verdade.

Livro de Salmos 5,5-6.7.12.
Vós não sois um Deus que se agrade do mal,
o perverso não tem aceitação junto de Vós,
nem os ímpios suportam o vosso olhar.

Vós detestais todos os malfeitores
e exterminais os que dizem mentiras:
o Senhor abomina os sanguinários e fraudulentos.

Mas alegrem-se e rejubilem para sempre
os que em Vós confiam.
Vós protegeis e alegrais os que amam o vosso nome.



Evangelho segundo S. Lucas 6,6-11.
Naquele tempo, Jesus entrou numa sinagoga a um sábado e começou a ensinar. Estava lá um homem com a mão direita paralítica.
Os escribas e fariseus observavam Jesus, para verem se Ele ia curar ao sábado e encontrarem assim um pretexto para O acusarem.
Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse ao homem que tinha a mão paralítica: «Levanta-te e põe-te de pé, aí no meio». O homem levantou-se e ficou de pé.
Depois Jesus disse-lhes: «Eu pergunto-vos se é permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la».
Então olhou para todos à sua volta e disse ao homem: «Estende a mão». Ele assim fez e a mão ficou curada.
Os escribas e fariseus ficaram furiosos e começaram a falar entre si do que haviam de fazer a Jesus.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167), monge cisterciense
«Espelho da Caridade», III, 3-6
Entrar na verdadeira paz do sábado

Quando, afastando-se do ruído exterior, o homem se recolhe no segredo do seu coração e fecha a porta à multidão barulhenta das vaidades, quando nada mais tem em si que seja agitado e desordenado, nada que o importune, nada que o atormente, dá-se a feliz celebração de um primeiro sábado. Mas também pode abandonar este refúgio intimo, este albergue do coração, para entrar no alegre e aprazível repouso da doçura do amor fraterno. Dá-se então um segundo sábado, o sábado da caridade fraterna.

Uma vez purificada nestas duas formas de amor [de si mesma e do próximo], a alma aspira com tanto mais ardor às alegrias do amplexo divino quanto mais segura se sente. Ardendo com um desejo extremo, passa para o outro lado do véu da carne e, entrando no santuário (Heb 10,20), onde Cristo Jesus é espírito diante da sua face, é totalmente absorvida por uma luz indizível e por uma invulgar doçura. Tendo feito silêncio relativamente a tudo quanto é corpóreo, sensível e mutável, fixa com um olhar penetrante Aquele que é, Aquele que é sempre o que é, idêntico a Si mesmo, Aquele que é uno. Livre e capaz de ver que o próprio Senhor é Deus (Sal 45,11), celebra sem qualquer hesitação o sábado dos sábados, no doce amplexo da própria Caridade.


EVANGELHO QUOTIDIANO

"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68


1ª Carta aos Coríntios 6,1-11.
Irmãos: Quando algum de vós entra em litígio com outro, como é que se atreve a submetê-lo ao juízo dos injustos e não ao dos santos?
Ou não sabeis que os santos é que hão-de julgar o mundo? E, se é por vós que o mundo há-de ser julgado, sereis indignos de julgar questões menores?
Não sabeis que havemos de julgar os anjos? Quanto mais, as pequenas coisas da vida!
Quando, pois, tendes questões menores, porque escolheis como juízes aqueles que a Igreja menospreza?
Digo isto para vossa vergonha. Não haverá, entre vós, ninguém suficientemente sábio para poder julgar entre irmãos?
No entanto, um irmão processa o seu irmão, e isto diante dos não crentes!
Ora, a existência de questões entre vós é já um sinal de inferioridade. Porque não preferis, antes, sofrer uma injustiça? Porque não preferis ser prejudicados?
Mas, pelo contrário, sois vós que cometeis injustiças e causais danos, e isto contra os próprios irmãos!
Ou não sabeis que os injustos não herdarão o Reino de Deus? Não vos iludais: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os pedófilos,
nem os ladrões, nem os avarentos, nem os beberrões, nem os caluniadores, nem os salteadores herdarão o Reino de Deus.
E alguns de vós eram assim. Mas vós cuidastes de vos purificar; fostes santificados, fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus.

Livro de Salmos 149(148),1-2.3-4.5-6a.9b.
Cantai ao Senhor um cântico novo,

cantai ao Senhor na assembleia dos santos.
Alegre-se Israel em seu Criador,

rejubilem os filhos de Sião em seu Rei.
Louvem o seu nome com danças,
cantem ao som do tímpano e da cítara,

porque o Senhor ama o seu povo,
coroa os humildes com a vitória.
Exultem de alegria os fiéis,
cantem jubilosos em suas casas;

em sua boca os louvores de Deus.
Esta é a glória de todos os seus fiéis.


Evangelho segundo S. Lucas 6,12-19.
Naqueles dias, Jesus subiu ao monte para rezar e passou a noite em oração a Deus.
Quando amanheceu, chamou os discípulos e escolheu doze entre eles, a quem deu o nome de apóstolos:
Simão, a quem deu também o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu,
Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelota;
Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor.
Depois desceu com eles do monte e deteve-Se num sítio plano, com numerosos discípulos e uma grande multidão de pessoas de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidónia.
Tinham vindo para ouvir Jesus e serem curados das suas doenças. Os que eram atormentados por espíritos impuros também ficavam curados.
Toda a multidão procurava tocar Jesus, porque saía d’Ele uma força que a todos sarava.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África), doutor da Igreja
Carta a Proba sobre a oração, 9-10
«Passou a noite em oração a Deus»

Diz o apóstolo Paulo: «Apresentai os vossos pedidos diante de Deus» (Fil 4,6); o que não significa que os damos a conhecer a Deus, que os conhecia ainda antes de eles existirem; mas que é pela paciência e pela perseverança diante de Deus, e não pela conversa diante dos homens, que saberemos se as nossas orações são válidas. […] Não é, pois, nem proibido, nem inútil rezar durante muito tempo quando tal é possível, isto é, quando tal não impede a realização de outras ocupações, boas e necessárias; aliás, ao realizar estas ocupações, devemos continuar a rezar pelo desejo, como já expliquei.

Porque não é por rezarmos durante muito tempo que estamos a fazer, como pensam alguns, uma oração de repetição (Mt 6,7). Uma coisa é falar abundantemente, outra coisa é amar longamente. Com efeito, está escrito que o próprio Senhor «passou a noite em oração» e que «pôs-Se a orar mais instantemente» (Lc 22,44). Não terá querido dar-nos o exemplo, ao rezar por nós no tempo, Ele que, na eternidade, acolhe favoravelmente as nossas orações juntamente com o Pai?

Dizem que os monges do Egito fazem orações frequentes, mas muito curtas, lançadas como setas, para evitar que, prolongando-se excessivamente, a atenção vigilante necessária a quem reza se disperse e se dissipe. […] A oração não deve comportar muitas palavras, mas muita súplica; desse modo, poderá prolongar-se numa atenção fervorosa. […] Rezar muito é bater durante muito tempo e com todo o coração à porta daquele a quem rezamos (Lc 11,5ss.). Com efeito, a oração consiste mais em gemidos e lágrimas do que em discursos e palavras.


segunda-feira, 5 de setembro de 2016

EVANGELHO QUOTIDIANO

"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68


1ª Carta aos Coríntios 5,1-8.
Irmãos: Ouve-se dizer por toda a parte que existe entre vós um caso de imoralidade, e uma imoralidade como não se encontra nem mesmo entre os pagãos: um de vós vive com a mulher de seu pai.
E continuais cheios de orgulho, em vez de andardes de luto, a fim de que seja retirado do meio de vós o autor de tal acção.
Quanto a mim, ausente de corpo mas presente em espírito, já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim procedeu:
em nome do Senhor Jesus e com o seu poder, por ocasião de uma assembleia onde eu estarei presente em espírito, que
tal homem seja entregue a Satanás para mortificação da sua carne, a fim de que o seu espírito seja salvo no Dia do Senhor.
Não é digno o vosso motivo de orgulho! Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa?
Purificai-vos do velho fermento, para serdes uma nova massa, já que sois pães ázimos. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.
Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os ázimos da pureza e da verdade.

Livro de Salmos 5,5-6.7.12.
Vós não sois um Deus que se agrade do mal,
o perverso não tem aceitação junto de Vós,
nem os ímpios suportam o vosso olhar.

Vós detestais todos os malfeitores
e exterminais os que dizem mentiras:
o Senhor abomina os sanguinários e fraudulentos.

Mas alegrem-se e rejubilem para sempre
os que em Vós confiam.
Vós protegeis e alegrais os que amam o vosso nome.



Evangelho segundo S. Lucas 6,6-11.
Naquele tempo, Jesus entrou numa sinagoga a um sábado e começou a ensinar. Estava lá um homem com a mão direita paralítica.
Os escribas e fariseus observavam Jesus, para verem se Ele ia curar ao sábado e encontrarem assim um pretexto para O acusarem.
Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse ao homem que tinha a mão paralítica: «Levanta-te e põe-te de pé, aí no meio». O homem levantou-se e ficou de pé.
Depois Jesus disse-lhes: «Eu pergunto-vos se é permitido ao sábado fazer bem ou fazer mal, salvar a vida ou tirá-la».
Então olhou para todos à sua volta e disse ao homem: «Estende a mão». Ele assim fez e a mão ficou curada.
Os escribas e fariseus ficaram furiosos e começaram a falar entre si do que haviam de fazer a Jesus.


Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org



Comentário do dia:

Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167), monge cisterciense
«Espelho da Caridade», III, 3-6
Entrar na verdadeira paz do sábado

Quando, afastando-se do ruído exterior, o homem se recolhe no segredo do seu coração e fecha a porta à multidão barulhenta das vaidades, quando nada mais tem em si que seja agitado e desordenado, nada que o importune, nada que o atormente, dá-se a feliz celebração de um primeiro sábado. Mas também pode abandonar este refúgio intimo, este albergue do coração, para entrar no alegre e aprazível repouso da doçura do amor fraterno. Dá-se então um segundo sábado, o sábado da caridade fraterna.

Uma vez purificada nestas duas formas de amor [de si mesma e do próximo], a alma aspira com tanto mais ardor às alegrias do amplexo divino quanto mais segura se sente. Ardendo com um desejo extremo, passa para o outro lado do véu da carne e, entrando no santuário (Heb 10,20), onde Cristo Jesus é espírito diante da sua face, é totalmente absorvida por uma luz indizível e por uma invulgar doçura. Tendo feito silêncio relativamente a tudo quanto é corpóreo, sensível e mutável, fixa com um olhar penetrante Aquele que é, Aquele que é sempre o que é, idêntico a Si mesmo, Aquele que é uno. Livre e capaz de ver que o próprio Senhor é Deus (Sal 45,11), celebra sem qualquer hesitação o sábado dos sábados, no doce amplexo da própria Caridade.

EVANGELHO QUOTIDIANO

"Senhor, a quem iremos? Tu tens palavras de vida eterna". João 6, 68


Livro de Sabedoria 9,13-18.
Pois que homem poderia conhecer a vontade de Deus? Quem poderá imaginar o que pretende o Senhor?
Os pensamentos dos mortais são hesitantes, e incertas as nossas reflexões;
porque o corpo corruptível é um peso para a alma, e esta tenda terrena oprime a mente cheia de cuidados.
Mal podemos entender o que há sobre a terra e o que está ao nosso alcance dificilmente o descobrimos; quem poderá, pois, penetrar o que há no céu?
E quem conhecerá a tua vontade, se não lhe deres a sabedoria, e não enviares o teu santo espírito lá do céu?
Assim se endireitaram as veredas dos que vivem na terra, os homens aprenderam o que é do teu agrado e pela sabedoria se salvaram.»

Livro de Salmos 90(89),3-4.5-6.12-13.14-17.
Vós reduzis o homem ao pó da terra
e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».
Mil anos a vossos olhos
são como o dia de ontem que passou e como uma vigília da noite.

Vós os arrebatais como um sonho,
como a erva que de manhã reverdece;
de manhã floresce e viceja,
de tarde ela murcha e seca.

Ensinai-nos a contar os nossos dias,
para chegarmos à sabedoria do coração.
Voltai, Senhor! Até quando...
Tende piedade dos vossos servos.

Saciai-nos desde a manhã com a vossa bondade,
para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.
Compensai em alegria os dias de aflição,
os anos em que sentimos a desgraça.

Manifestai o vosso poder aos vossos servos
e aos seus filhos a vossa majestade.
Desça sobre nós a graça do Senhor, nosso Deus.
Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.



Carta a Filémon 1,9-10.12-17.
Caríssimo: Eu, Paulo, um ancião e, agora, até prisioneiro por causa de Cristo Jesus.
Peço-te pelo meu filho, que gerei na prisão: Onésimo,
É ele que eu te envio: ele, isto é, o meu próprio coração.
Eu bem desejava mantê-lo junto de mim, para, em vez de ti, se colocar ao meu serviço nas prisões que sofro por causa do evangelho.
Porém, nada quero fazer sem o teu consentimento, para que o bem que fazes não seja por obrigação, mas de livre vontade.
É que, afinal, talvez tenha sido por isto que ele foi afastado por breve tempo: para que o recebas para sempre,
não já como escravo, mas muito mais do que um escravo: como irmão querido; isto especialmente para mim, quanto mais para ti, que com ele estás relacionado tanto humanamente como no Senhor.
Se, pois, me consideras em comunhão contigo, recebe-o como a mim próprio.

Evangelho segundo S. Lucas 14,25-33.
Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes:
«Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo.
Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo.
Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la?
Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir, e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo:
‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’.
E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil?
Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz.
Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».


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Comentário do dia:

São Josemaría Escrivá de Balaguer (1902-1975), presbítero, fundador
«Amigos de Deus», §§ 65-66
Construir uma torre

Gostava de subir a uma torre [da catedral de Burgos, com os seus filhos mais jovens] para que vissem de perto a pedra trabalhada das cumeeiras, um autêntico rendilhado de pedra, fruto de um trabalho paciente e custoso. Nessas conversas fazia-lhes notar que aquela maravilha não se via de baixo. E […] comentava: isto é o trabalho de Deus, a obra de Deus: acabar a tarefa pessoal com perfeição, com beleza, com o primor destas delicadas rendas de pedra. Compreendiam, perante essa realidade que entrava pelos olhos, que tudo isso era oração, um formoso diálogo com o Senhor. Aqueles que tinham gastado as suas energias nessa tarefa sabiam perfeitamente que, das ruas da cidade, ninguém veria nem apreciaria o resultado do seu esforço: era só para Deus. […]

Convencidos de que Deus Se encontra em toda a parte, nós cultivamos os campos louvando o Senhor, sulcamos os mares e trabalhamos em todas as outras profissões cantando as suas misericórdias. Desta maneira, estamos unidos a Deus a todo o momento. […] Não esqueçais, contudo, de que estais também na presença dos homens e de que estes esperam de vós – de ti! – um testemunho cristão.

Por isso, na nossa ocupação profissional, temos de atuar de tal maneira, do ponto de vista humano, que não fiquemos envergonhados nem façamos corar quem nos conhece e nos ama; […] e não vos acontecerá como àquele homem da parábola que se propôs edificar uma torre: depois de lançar os alicerces, não podendo concluí-la, começaram todos os que a viram a zombar dele, dizendo: «Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir.» Garanto-vos que, se não perderdes a visão sobrenatural, poreis o coroamento na vossa tarefa, acabareis a vossa catedral.