quinta-feira, 13 de julho de 2017

VIVER - A sustentabilidade.

Posted: 12 Jul 2017 05:21 PM PDT
O poder de mudar o mundo está em nossas mãos. Até as mais simples atitudes sustentáveis que adotamos podem fazer toda a diferença na missão de tornar o mundo um lugar melhor para se viver.
Muito tem se falado sobre sustentabilidade nos últimos tempos. Esse termo é usado para definir ações e atividades humanas que visam suprir as necessidades dos seres humanos sem comprometer o futuro das próximas gerações.
Em outras palavras, é a capacidade de nos desenvolvermos econômica e socialmente respeitando a natureza, garantindo o uso racional dos recursos naturais.
Por muito tempo pensava-se que os recursos naturais eram infinitos, jamais se esgotariam, porém hoje a realidade é outra.
Sabe-se que para garantir o futuro das próximas gerações é necessário preservar o meio ambiente por meio de atitudes sustentáveis.
O que nem todo mundo sabe é que a preservação do meio ambiente não cabe apenas à indústria e ao Estado.
Muitas vezes não nos damos conta dos impactos ambientais de nossos hábitos cotidianos, mas deveríamos.

A preservação da natureza depende de cada um de nós!
É por isso que nós do Awebic preparamos uma lista de atitudes sustentáveis que podem ser adotadas no seu dia a dia no trabalho, no trânsito, na escola ou em casa.
Por menores que sejam essas atitudes, elas trazem muitos benefícios para sua rotina e seu bolso, além de contribuir para o futuro das próximas gerações.
Então vamos lá!

1 – Apague as luzes

Não deixe as luzes acesas durante o dia ou quando não houver pessoas no recinto.
O desperdício de energia elétrica no Brasil é imenso e boa parte desse desperdício é oriundo do uso residencial.

2 – Cultive plantas em casa

Qual é a origem do que você comeu hoje? Pois é, pouquíssimas pessoas são capazes de responder a essa pergunta.
Produzir seu próprio alimento é uma atitude sustentável, pois evita o desperdício.
Ter uma horta em casa, segundo especialistas, é resgatar a essência do ato de se alimentar.
Além disso, o cultivo de plantas em casa faz bem para a saúde e diminui o estresse.

3 – Não deixe seus aparelhos em Stand By

Ótima atitude sustentável para ser incorporada em sua casa e no escritório!
Simplesmente desligue ou tire da tomada todos eletrodomésticos que não estão sendo usados.
A função Stand By é uma grande vilã das contas de energia elétrica, chegando a representar 12% do consumo total de uma casa ou escritório.

4 – Ande menos de carro

Existem inúmeras opções de transportes sustentáveis (como andar a pé ou de bicicleta, por exemplo), e mais tantas outras opções de transporte coletivo como ônibus, metrô e trem.
Sempre que puder, opte por não usar o carro. O uso de carros não é nada sustentável, o ramo dos transportes é um dos que mais tem potencial de redução de consumo de energia.

5 – Compre alimentos orgânicos

Sempre que puder, opte pelos alimentos orgânicos. Sua produção respeita o ciclo de vida dos animais e meio ambiente, evitando contaminação do solo, água, vegetação.
Além disso, existem outras inúmeras vantagens de se consumir alimentos orgânicos: são livres de hormônios, agrotóxicos ou qualquer produto químico, absorvem mais gás carbônico da atmosfera do que a agricultura tradicional e são extremamente saborosos.
O único empecilho de incorporar tal atitude sustentável no dia a dia ainda é o preço, porém com o aumento do incentivo e demanda, a tendência é que essa realidade mude.

6 – Use a máquina de lavar apenas quando estiver completamente cheia

A máquina de lavar consome bastante energia elétrica e água, procure usá-la somente em sua capacidade máxima.
Caso precise muito lavar alguma peça e não há roupas sujas o suficiente para enchê-la , procure optar pela lavagem manual.

7 – Posicione bem sua geladeira e freezer

Ao colocá-los próximo do fogão, eles utilizam de muito mais energia para compensar o ganho de temperatura.
Além disso, mantenha-os um pouco afastados das paredes.
E por favor, NUNCA coloque roupas para secar atrás da geladeira, essa definitivamente não é uma atitude sustentável e inteligente.

8 – Recicle

Existem formas bem fáceis de reciclar o lixo orgânico (como a compostagem, por exemplo) e diversas instituições que reciclam materiais como alumínio, plástico, papel, etc.
Procure separar o lixo orgânico do reciclável e use e abuse da coleta seletiva de sua cidade.

9 – Use um ventilador ao invés do ar condicionado

Pode parecer bobeira, mas optar pelo ventilador ao invés do ar condicionado é uma atitude sustentável das grandes.
O ventilador chega a gastar 90% menos energia do que o ar condicionado.

10 – Regue suas plantas no horário certo

Regar suas plantas entre o final da manhã e o começo de tarde pode não ser uma boa ideia.
O calor do horário faz com que a água evapore muito rapidamente, gerando desperdício de água.
Procure regar suas plantas no começo do manhã ou no final da tarde.

11 – Prefira as escadas ao invés do elevador

Além de colaborar com o meio ambiente economizando energia, optar pelas escadas ao invés do elevador é uma ótima alternativa para queimar calorias no seu dia a dia.

12 – Desligue o computador

Hoje em dia inúmeras pessoas têm o hábito de deixar o computador ligado e tantas outras acreditam que ligar e desligar o computador pode ser prejudicial, o que gera um desperdício muito grande de energia elétrica.
Os computadores de hoje aguentam milhares e milhares de ciclos de ligar e desligar.
Procure desligar seu computador sempre que for ficar algumas horas sem utilizá-lo e faça o mesmo com seu monitor sempre que for sair de perto dele.

13 – Lave seu carro à seco

Muita água é consumida na lavagem convencional de carros. Uma ótima opção sustentável é a lavagem à seco de seu veículo.
A lavagem à seco utiliza em média apenas 300 ml de água por lavagem e, além disso, não casa nenhum dano a pintura do veículo.

14 – Use pilhas e baterias recarregáveis

Todo ano, bilhões de pilhas e baterias são produzidas e vendidas no mundo, mas a maioria delas ainda não é recarregável.
Uma pilha/bateria recarregável chega a durar o equivalente a mil descartáveis.
Isso significa menos produtos químicos e matérias-primas que seriam utilizadas na produção, muito menos resíduos descartados de forma inadequada, além de economia para o consumidor.

15 – Tome banho de chuveiro

Isso mesmo! Tomar banho de banheira não é nada sustentável.
Um banho de banheira chega a gastar quatro vezes mais energia e água do que um banho convencional de chuveiro.
Além disso, procure diminuir o tempo de chuveiro ligado, pois o mesmo é um dos aparelhos que mais gastam energia dentro de uma casa.

16 – Prefira alimentos frescos ao invés dos congelados

Alimentos congelados consomem muito mais energia em sua produção e armazenagem.
Além disso, costumam custar muito mais caro que os alimentos fresquinhos.

17 – Escolha bem seus eletrodomésticos

Sempre opte pelos eletrodomésticos mais eficientes e economize muita energia a longo prazo.
Os produtos nacionais ou estrangeiros com melhor desempenho energético em sua categoria são etiquetados com o selo PROCEL.

18 – Tampe suas panelas enquanto cozinha

Ao tampar as panelas enquanto você cozinha muito calor que simplesmente se perderia no ar é aproveitado.
Dessa forma, economiza-se GLP (gás de cozinha) e tempo.

19 – Use menos água quente

Aquecer a água gasta muita energia!
Procure utilizar água fria para lavar suas mãos, louças e roupas.

20 – Consuma menos carne

A produção de carne em escala global é um dos principais responsáveis pelo efeito estufa, isso devido ao metano oriundo da flatulência das reses.
O setor da agropecuária também é um dos principais responsáveis pelo desmatamento de florestas, pois necessita-se de uma grande área de pastagem para a criação de gado.
Além disso, consome-se muita água e energia durante todo o processo.
Saiba mais sobre o assunto clicando aqui.

21 – Reutilize a água da sua máquina de lavar

A máquina de lavar é um dos aparelhos domésticos que mais desperdiçam água.
Um sistema para reutilizar a água de sua máquina de lavar é algo muito atrativo para o meio ambiente e para o bolso.

22 – Evite talheres e copos descartáveis

Muita água é usada na produção desse tipo de produto, a maioria deles não será reciclada devido ao seu baixo preço de mercado e são produtos que demora muito para se decompor na natureza.

23 – Dê e pegue caronas

Evite tirar o carro da garagem para andar sozinho!
Dar e pegar caronas é uma atitude sustentável que segue os mesmos princípios do transporte público, veículos cheios diminuem a quantidade de veículos nas ruas e, consequentemente, a emissão de gases poluentes.
Quer saber tudo sobre caronas? Então clique aqui.

24 – Não use sacolas plásticas

Use sempre uma ecobag para carregar suas compras.
Sacolas plásticas são grandes vilãs do meio ambiente.
Elas são produzidas com matérias-primas oriundas do petróleo ou gás natural (não renováveis) e não são biodegradáveis.
Além disso, são umas das principais causas de entupimento de bueiros.

25 – Use menos papel

Usar papel significa consumir florestas e ecossistemas inteiros.
Hoje em dia não é necessário o uso de papel impresso, muitas impressões podem ser substituídas pelo uso de tablets, celulares, notebooks e afins.
Caso o papel seja mesmo necessário, utilize sempre folhas recicladas.

26 – Instale uma válvula regulador em sua descarga

Nem toda descarga precisa da mesma quantidade de água!
A instalação de uma válvula reguladora é uma forma de economizar bastante água no dia a dia.
É interessante notar que tal atitude sustentável pode ser introduzida em qualquer lugar, como casas, empresas, escolas, locais públicos, entre outros.
A regra é simples: uma quantidade menor de água para o número 1 e uma quantidade maior para o número 2.

27 – Use a panela de pressão para cozinhar

Muita gente tem medo de panela de pressão, mas elas são nossas aliadas na economia de gás de cozinha.
Sempre que possível, use panelas de pressão para cozinhar seus alimentos, pois a temperatura de cozimento desse tipo de panela é muito mais alta do que de uma panela convencional, fazendo com que consumam menos gás.

28 – Cozinhe em fogo mínimo

A água não ultrapassa 100º C (no nível do mar) em uma panela comum.
Portanto, sempre que estiver cozinhando algo e notar que a água começou a borbulhar, abaixe o fogo.
O fogo alto não irá cozinhar os alimentos mais rapidamente, apenas irá desperdiçar gás de cozinha.

29 – Substitua suas lâmpadas

Essa é uma atitude sustentável ideal para ser usada em casa, no escritório, nas escolas e até mesmo em locais públicos.
Não use lâmpadas incandescentes de forma alguma, pois elas gastam muita energia.
Entre as lâmpadas fluorescentes e as de LED, opte pelas lâmpadas de LED sempre que possível. Elas são muito mais econômicas e possuem vida útil bem maior.

30 – Lave sua louça em uma bacia de água

Use uma bacia ou até mesmo a própria pia (tapando a passagem de água) para ensaboar a louça sem deixar a torneira aberta.
Pode parecer bobeira, mas segundo o Instituto Akatu tal ação pode gerar uma economia de 170 litros de água por lavagem.
Ao longo de um ano, você poderá economizar água o suficiente para abastecer sua casa por mais de dois meses.
Além de preservar o meio ambiente, tal atitude gera muita economia.

31 – Escolha muito bem qual carro comprar

Carros movidos a álcool, em geral, poluem menos que os movidos a gasolina.
Ambos lançam CO2 nas mesmas quantidades na atmosfera, porém o etanol é renovável e durante o desenvolvimento da planta (no caso do Brasil, cana-de-açúcar), ela sequestra carbono da atmosfera.
Uma ótima opção para reduzir a poluição causada por automóveis são os carros elétricos, porém no Brasil ainda existem poucas opções desses veículos.
Lembre-se também que carros menores, com motores menos potentes, poluem menos.
Você deve escolher muito bem qual carro comprar, de acordo com suas necessidades e estilo de vida (não faz muito sentido ter um carro muito potente se você passa boa parte do dia preso em congestionamentos, por exemplo).
Outra dica sustentável bastante importante é sempre manter seu veículo sempre regulado.

32 – Diminua o uso de embalagens e dê preferência às recicláveis

Evite sempre sacolas plásticas e embrulhos, procure sempre as maiores embalagens, de preferência com refil, pois isso é sinônimo de economia de recursos naturais.
Além disso, dê preferência à produtos com embalagens recicláveis e lembre-se sempre de separá-las para a reciclagem.

33 – Incentive o comércio local

Prefira comprar produtos fabricados perto de você, isso diminui a quantidade de gás carbônico emitida no transporte.
Incentivar o comércio local também ajuda a contribuir com o crescimento de seu bairro ou cidade.
Além de ser uma atitude sustentável, incentivar o comércio local tem grande importância social.

34 – Não crie animais silvestres

Muitas vezes essa é uma prática criminosa!
A criação de animais silvestres contribui para a extinção das espécies e, consequentemente o desequilíbrio de todo um ecossistema.
Pense que para cada animal silvestre vendido, muitos outros morreram durante o transporte.

35 – Aproveite ao máximo todo alimento

Você sabia que cerca de um quinto de toda a produção mundial de alimentos é jogada fora?
Pois é, o é desperdício é imenso.
Procure sempre consumir tudo o que compra e, em vez de jogar fora os restos, faça compostagem.

36 – Descarte corretamente seus resíduos nocivos (pilhas, baterias, lixo hospitalar, óleo…)

Todos os resíduos que geramos devem ser descartados de forma correta.
Procure sempre locais apropriados para o descarte de resíduos nocivos ao meio ambiente, a fim de evitar efeitos negativos ao ecossistema, como contaminação da água e do solo, transmissão de doenças, etc…

37 – Plante árvores

Plantar árvores contribui para a purificação do ar e conservação da água, auxiliam na recuperação da capacidade produtiva do solo, no combate à erosão e no aumento da diversidade biológica.
Além disso, as árvores deixam os ambientes mais frescos e bonitos.

38 – Faça compostagem

Aproximadamente 3% da emissão de metano (gás causador do efeito estufa) é gerado pelo lixo orgânico doméstico.
Aprenda a fazer compostagem, além de ser uma atitude sustentável, deixará seu jardim bonito e saudável.

39 – Economize nas mídias físicas

CD’s e DVD’s são sem dúvidas mídias eficientes e baratas, porém são feitos de materiais não biodegradáveis e, ao serem incinerados, voltam como chuva ácida.
Procure utilizar mídias regraváveis, drives USB, FTP’s, ou ainda coloque seus arquivos na nuvem.
Hoje em dia, são poucos arquivos que não podem ser compartilhados virtualmente.

40 – Exerça seus direitos

Sempre que perceber violações às leis ambientais, denuncie!

Está pronto para adicionar essas atitudes sustentáveis à sua rotina?

Você já pratica alguma dessas atitudes sustentáveis? Tem alguma que você adota que não está nessa lista?
Deixe a sua contribuição nos comentários e não se esqueça de compartilhar essa lista com os seus amigos e familiares.

terça-feira, 11 de julho de 2017

A Carne é fraca


Há tendências viciosas que são, evidentemente, inerentes ao Espírito, porque se prendem mais ao moral do que ao físico; outras parecem antes a consequência do organismo, e, por este motivo, delas se pode crer menos responsável; tais são as predisposições à cólera, à moleza, à sensualidade, etc.

Está perfeitamente reconhecido hoje, pelos filósofos espiritualistas, que os órgãos cerebrais correspondentes às diversas aptidões, devem seu desenvolvimento à atividade do Espírito; que esse desenvolvimento é assim um efeito e não uma causa. Um homem não é músico porque tem a bossa da música, mas ele não tem a bossa da música senão porque seu Espírito é músico.


Se a atividade do Espírito reage sobre o cérebro, ela deve reagir igualmente sobre as outras partes do organismo. O Espírito é, assim, o artífice de seu próprio corpo, que ele configura, por assim dizer, a fim de apropriá-lo às suas necessidades e às manifestações de suas tendências. Estando isto posto, a perfeição do corpo nas raças avançadas seria o trabalho do Espírito que aperfeiçoa o seu aparelhamento à medida que as suas faculdades aumentam.


Por uma consequência natural deste princípio, as disposições morais do Espírito devem modificar as qualidades do sangue, dar-lhe mais ou menos atividade, provocar uma secreção mais ou menos abundante de bile ou outros fluidos. É assim, por exemplo, que o guloso sente vir a saliva, ou, como se diz vulgarmente, a água à boca à vista de uma comida apetitosa.

Não é a comida que pode superexcitar o órgão do gosto, uma vez que com ele não tem contato; é, pois, o Espírito cuja sensualidade é despertada, que age pelo pensamento sobre esse órgão, ao passo que, sobre um outro Espírito, a visão dessa comida nada produz. Ocorre o mesmo com todas as cobiças, todos os desejos provocados pela visão.

A diversidade das emoções não pode se explicar, numa multidão de casos, senão pela diversidade das qualidades do Espírito. Tal é a razão pela qual uma pessoa sensível derrama facilmente lágrimas; não é a abundância das lágrimas que dá a sensibilidade ao Espírito, mas a sensibilidade do Espírito que provoca a secreção abundante das lágrimas. Sob o domínio da sensibilidade, o organismo é modelado sob essa disposição normal do Espírito, como é modelado naquela do Espírito guloso.

Seguindo esta ordem de idéias, compreende-se que o Espírito irascível deve levar ao temperamento bilioso; de onde se segue que um homem não é colérico porque é bilioso, mas que ele é bilioso, porque é colérico. Assim ocorre com todas as outras disposições instintivas; um Espírito mole e indolente deixará o seu organismo num estado de atonia em relação com o seu caráter, ao passo que se for ativo e enérgico, dará ao seu sangue, aos seus nervos, qualidades muito diferentes.

A ação do Espírito sobre o físico é de tal modo evidente, que se vêem, frequentemente, graves desordens orgânicas se produzirem pelo efeito de violentas comoções morais. A expressão vulgar: A emoção lhe revirou o sangue não é também destituída de sentido quanto se poderia crê-lo; ora o que pôde revirar o sangue, se não as disposições morais do Espírito? Este efeito é sobretudo sensível nas grandes dores, nas grandes alegrias e nos grandes medos, cuja reação pode ir até causar a morte.

Vêem-se pessoas que morrem do medo de morrer; ora, que relação existe entre o corpo do indivíduo e o objeto que causa seu pavor, objeto que, frequentemente, não tem nenhuma realidade? É, diz-se, o efeito da imaginação; seja; mas que é a imaginação senão um atributo, um modo de sensibilidade do Espírito?

Parece difícil atribuir a imaginação aos músculos e aos nervos, porque, então, não se explicaria porque esses músculos e esses nervos não têm sempre imaginação; por que não o têm mais depois da morte; porque o que causa em uns um pavor mortal, superexcita a coragem em outros.

De qualquer sutileza que se use para explicar os fenômenos morais unicamente pelas propriedades da matéria, cai-se, inevitavelmente num impasse, no fundo do qual percebe-se, em toda a sua evidência, e como a única solução possível, o ser espiritual independente, para quem o organismo não é senão um meio de manifestação, como o piano é o instrumento das manifestações do pensamento do músico.

Do mesmo modo que o músico afina o seu piano, pode-se dizer que o Espírito afina o seu corpo para colocá-lo no diapasão de suas disposições morais.

É verdadeiramente curioso ver o materialismo falar, sem cessar, da necessidade de levantar a dignidade do homem, então que se esforça em reduzi-la a um pedaço de carne que apodrece e desaparece sem deixar nenhum vestígio; de reivindicar para ele a liberdade como um direito natural, quando dela faz uma mecânica caminhando como uma pessoa encarregada de girar o espeto, sem responsabilidade de seus atos.

Com o ser espiritual independente, preexistente e sobrevivente ao corpo, a responsabilidade é absoluta; ora, para o maior homem, o primeiro, o principal móvel da crença no nada é o pavor que causa essa responsabilidade, fora da lei humana, e à qual se crê escapar tapando os olhos.

Até hoje esta responsabilidade nada tinha de bem definida; não era senão um temor vago, fundado, é preciso muito reconhecê-lo, sobre crenças que não eram sempre admissíveis pela razão; o Espiritismo a demonstrou como uma realidade patente, efetiva, sem restrição, como uma consequência natural da espiritualidade do ser; é porque certas pessoas têm medo do Espiritismo que lhes perturbaria em sua quietude, levantando diante delas o temível tribunal do futuro.

Provar que o homem é responsável por todos os seus atos é provar a sua liberdade de ação, e provar a sua liberdade, é levantar a sua dignidade. A perspectiva da responsabilidade fora da lei humana é o mais poderoso elemento moralizador: é o objetivo ao qual o Espiritismo conduz pela força das coisas.

Segundo as observações fisiológicas que precedem, pode-se, pois, admitir que o temperamento é, pelo menos em parte, determinado pela natureza do Espírito, que é causa e não efeito. Dizemos em parte, porque há casos em que o físico influi evidentemente sobre o moral: é quando um estado mórbido ou anormal é determinado por uma causa externa, acidental, independente do Espírito, como a temperatura, o clima, os vícios hereditários de constituição, uma doença passageira, etc.

O moral do Espirito pode então ser afetado em suas manifestações pelo estado patológico, sem que a sua natureza intrínseca seja modificada. Desculpar-se de seus defeitos sobre a fraqueza da carne não é, pois, senão uma fuga falsa para escapar à responsabilidade. A carne é fraca porque o Espírito é fraco, é em que se torna a questão, e deixa ao Espírito a responsabilidade de todos os seus atos.

A carne, que não tem nem pensamento nem vontade, não prevalece jamais sobre o Espírito, que é o ser pensante e que quer, é o Espírito que dá à carne as qualidades correspondentes aos seus instintos, como o artista imprime à sua obra material a marca de seu gênio.

O Espírito liberto dos instintos da bestialidade, forma um corpo que não é mais um tirano para as suas aspirações na direção da espiritualidade de seu ser; é quando o homem come para viver, porque viver é uma necessidade, mas não vive mais para comer.

A responsabilidade moral dos atos da vida, portanto, permanece inteira; mas a razão diz que as consequências desta responsabilidade devem estar em razão do desenvolvimento intelectual do Espírito; quanto mais o Espírito é esclarecido, mais é indesculpável, porque com a inteligência e o senso moral, nascem as noções do bem e do mal, do justo e do injusto.

O selvagem, ainda vizinho da animalidade, que cede ao instinto do animal comendo seu semelhante, é, sem contradita, menos culpável que o homem civilizado que comete uma simples injustiça.

Esta lei encontra ainda sua aplicação na medicina, e dá a razão de seu insucesso em certos casos. Desde que o temperamento é um efeito e não uma causa, os esforços tentados para modificá-lo podem ser paralisados pelas disposições morais do Espírito que opõe uma resistência inconsciente e neutraliza a ação terapêutica.

E, pois, sobre a causa primeira que se deve agir; chegando-se a mudar as disposições morais do Espírito, o temperamento se modificará por si mesmo sob o império de uma vontade diferente, ou, pelo menos, a ação do tratamento médico será secundada em lugar de contrariá-la. Daí se for possível, coragem ao covarde, e vereis cessar os efeitos fisiológicos do medo; ocorre o mesmo com as outras disposições.

Mas, dir-se-á, o médico do corpo pode se fazer o médico da alma? Está em suas atribuições tornar-se o moralizador de seus doentes? Sim, sem dúvida, num certo limite; é mesmo um dever que um bom médico não negligência jamais, desde o instante que vê, no estado da alma, um obstáculo ao restabelecimento da saúde do corpo; o essencial é aplicar o remédio moral com tato, prudência e com propósito, segundo as circunstâncias.

Desse ponto de vista, sua ação está forçosamente circunscrita, porque, além de que não tem sobre seu doente senão um ascendente moral, uma transformação do caráter é difícil em certa idade; é, pois, à educação, e sobretudo à educação primeira, que incumbem os cuidados dessa natureza.

Quando a educação for, desde o berço, dirigida nesse sentido; quando se aplicar em abafar, em seu germe, as imperfeições morais, como se faz para as imperfeições físicas, o médico não encontrará mais, no temperamento, um obstáculo contra o qual a sua ciência, muito frequentemente, é impotente.

Como se vê, é todo um estudo; mas um estudo completamente estéril enquanto não se tiver em conta a ação do elemento espiritual sobre o organismo. Participação incessantemente ativa do elemento espiritual nos fenômenos da vida, tal é a chave da maioria dos problemas contra os quais a ciência se choca; quando a ciência fizer entrarem linha de conta a ação desse princípio, verá abrir-se diante dela horizontes todos novos. É a demonstração desta verdade que o Espiritismo traz.

Fonte: Revista Espirita – 1869
Compilado por Harmonia Espiritual