domingo, 21 de janeiro de 2018

A disciplina do pensamento

1ª parte

O pensamento, dizíamos, é criador. Não atua somente em torno de nós, influenciando nossos semelhantes para o bem ou para o mal; atua principalmente em nós; gera nossas palavras, nossas ações e, com ele, construímos, dia a dia, o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente e futura.

Modelamos nossa alma e seu invólucro com os nossos pensamentos; estes produzem formas, imagens que se imprimem na matéria sutil, de que o corpo fluídico é composto. Assim, pouco a pouco, nosso ser povoa-se de formas frívolas ou austeras, graciosas ou terríveis, grosseiras ou sublimes; a alma se enobrece, embeleza ou cria uma atmosfera de fealdade.


Segundo o ideal a que visa, a chama interior aviva-se ou obscurece-se. Não há assunto mais importante que o estudo do pensamento, seus poderes e sua ação. É a causa inicial de nossa elevação ou de nosso rebaixamento; prepara todas as descobertas da Ciência, todas as maravilhas da Arte, mas também todas as misérias e todas as vergonhas da humanidade.


Segundo o impulso dado, funda ou destrói as instituições como os impérios, os caracteres como as consciências. O homem só é grande, só tem valor pelo seu pensamento; por ele suas obras irradiam e se perpetuam através dos séculos.

O Espiritualismo experimental, muito melhor que as doutrinas anteriores, permite-nos perceber, compreender toda a força de projeção do pensamento, que é o princípio da comunhão universal. Vemo-lo agir no fenômeno espírita, que facilita ou dificulta; seu papel nas sessões de experimentação é sempre considerável.

A telepatia demonstrou-nos que as almas podem impressionar-se, influenciar-se a todas as distâncias; é o meio de que se servem as humanidades do espaço para comunicarem entre si através das imensidades siderais. Em qualquer campo das atividades sociais, em todos os domínios do mundo visível ou invisível, a ação do pensamento é soberana; não é menor sua ação, repetimos, em nós mesmos, modificando constantemente nossa natureza íntima.

As vibrações de nossos pensamentos, de nossas palavras, renovando-se em sentido uniforme, expulsam de nosso invólucro os elementos que não podem vibrar em harmonia com elas; atraem elementos similares que acentua as tendências do ser. Uma obra, muitas vezes inconsciente, elabora-se; mil obreiros misteriosos trabalham na sombra; nas profundezas da alma esboça-se um destino inteiro; em sua ganga o diamante purifica-se ou perde o brilho.

Se meditarmos em assuntos elevados, na sabedoria, no dever, no sacrifício, nosso ser impregna-se, pouco a pouco, das qualidades de nosso pensamento. É por isso que a prece improvisada, ardente, o impulso da alma para as potências infinitas, tem tanta virtude. Nesse diálogo solene do ser com sua causa, o influxo do Alto invade-nos e desperta sentidos novos.

A compreensão, a consciência da vida aumenta e sentimos, melhor do que se pode exprimir, a gravidade e a grandeza da mais humilde das existências. A oração, a comunhão pelo pensamento com o universo espiritual e divino é o esforço da alma para a beleza e para a verdade eternas; é a entrada, por um instante, nas esferas da vida real e superior, aquela que não tem termo.

Se, ao contrário, nosso pensamento é inspirado por maus desejos, pela paixão, pelo ciúme, pelo ódio, as imagens que cria sucedem-se, acumulam-se em nosso corpo fluídico e o entenebrecem. Assim, podemos à vontade fazer em nós a luz ou a sombra, o que afirmam tantas comunicações de além-túmulo. Somos o que pensamos, com a condição de pensarmos com força, vontade e persistência.

Mas, quase sempre, nossos pensamentos passam constantemente de um a outro assunto. Pensamos raras vezes por nós mesmos, refletimos os mil pensamentos incoerentes do meio em que vivemos. Poucos homens sabem viver do próprio pensamento, beber nas fontes profundas, nesse grande reservatório de inspiração que cada um traz consigo, mas que a maior parte ignora.

Por isso criam um invólucro povoado das mais disparatadas formas. Seu Espírito é como uma habitação franca a todos os que passam. Os raios do bem e as sombras do mal lá se confundem, num caos perpétuo. É o combate incessante da paixão e do dever, em que, quase sempre, a paixão sai vitoriosa. Antes de tudo, é preciso aprender a fiscalizar os pensamentos, a discipliná-los, a imprimir-lhes uma direção determinada, um fim nobre e digno.

A fiscalização dos pensamentos implica a fiscalização dos atos, porque, se uns são bons, os outros sê-lo-ão igualmente, e todo o nosso procedimento achar-se-á regulado por uma concatenação harmônica. Todavia, se nossos atos são bons e nossos pensamentos maus, apenas haverá uma falsa aparência do bem e continuaremos a trazer em nós um foco malfazejo, cujas influências, mais cedo ou mais tarde, derramar-se-ão fatalmente sobre nossa vida.

Às vezes observamos uma contradição surpreendente entre os pensamentos, os escritos e as ações de certos homens, e somos levados, por essa mesma contradição, a duvidar de sua boa-fé, de sua sinceridade. Muitas vezes não há mais do que uma interpretação errônea de nossa parte. Os atos desses homens resultam do impulso surdo dos pensamentos e das forças que eles acumularam em si no passado.

Suas aspirações atuais, mais elevadas, seus pensamentos mais generosos traduzir-se-ão em atos no futuro. Assim, tudo se combina e explica quando se consideram as coisas do largo ponto de vista da evolução; ao passo que tudo fica obscuro, incompreensível, contraditório, com a teoria de uma vida única para cada um de nós.

É bom viver em contato pelo pensamento com os escritores de gênio, com os autores verdadeiramente grandes de todos os tempos e países, lendo, meditando suas obras, impregnando todo o nosso ser da substância de sua alma. As radiações de seus pensamentos despertarão em nós efeitos semelhantes e produzirão, com o tempo, modificações de nosso caráter pela própria natureza das impressões sentidas.

E necessário escolhermos com cuidado nossas leituras, depois amadurecê-las e assimilar-lhes a quintessência. Em geral lê-se demais, lê-se depressa e não se medita. Seria preferível ler menos e refletir mais no que se leu.

É um meio seguro de fortalecer nossa inteligência, de colher os frutos de sabedoria e beleza que podem conter nossas leituras. Nisso, como em todas as coisas, o belo atrai e gera o belo, do mesmo modo que a bondade atrai a felicidade, como o mal atrai o sofrimento.

O estudo silencioso e recolhido é sempre fecundo para o desenvolvimento do pensamento. É no silêncio que se elaboram as grandes obras. A palavra é brilhante, mas degenera demasiadas vezes em conversas estéreis, às vezes maléficas; com isso, o pensamento se enfraquece e a alma esvazia-se. Ao passo que na meditação o Espírito se concentra, volta-se para o lado grave e solene das coisas; a luz do mundo espiritual banha-o com suas ondas.

Há em volta do pensador grandes seres invisíveis que só querem inspirá-lo; é à meia-luz das horas tranqüilas ou então à claridade discreta da lâmpada de trabalho que melhor podem entrar em comunhão com ele. Em toda parte, e sempre uma vida oculta mistura-se com a nossa.

Evitemos as discussões ruidosas, as palavras vãs, as leituras frívolas. Sejamos sóbrios em relação aos jornais, pois a sua leitura, fazendo-nos passar continuamente de um assunto para outro, torna o Espírito ainda mais instável.

Texto do Livro: O Problema do Ser, do Destino e da Dor
Autor: Leon Denis

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Mestre Caldeira (12)





        Salve Deus!
        Meus Irmãos e minhas irmãs.
       Mais uma aula dada pelo Adjunto Yumatã Mestre Caldeira, acerca da Mesa Evangélica, onde ele conta que um Ajanã sempre que ia para a Mesa Evangélica dizia que incorporava um Exu. Leiam e vejam como o Mestre Caldeira com a ajuda de nossa Mãe resolveram esta questão. Bastante interessante esta passagem, com a nossa Mãe Tia Neiva incluída.
        São estas passagens com os Metres veteranos da nossa Doutrina, que caminharam desde o principio da Doutrina com a nossa Mãe que nos enriquece o conhecimento. Principalmente nesta fase menos boa, pelo qual passa a nossa Doutrina, onde aparece cada vez mais Mestres falando em nome da nossa Mãe e que nunca a conheceram em vida.
        Boa leitura. Salve Deus.  

        Salve Deus!
        Também vamos falar um pouco agora de um trabalho tão simples que nós temos, mas, tão importante, que é nossa Mesa Evangélica, vamos reservar um espaço de tempo para nós falarmos da nossa Mesa Evangélica. Nos horários em que nós fazemos a nossa prece, 12h, 3h da tarde e 8h da noite, porque a partir daquele instante que nós fazemos a Iniciação nós temos o compromisso, nas Legiões, desta prece, deste mantra. Nesses horários os Cavaleiros saem nas Legiões, que eles chamam de hora parada, meio-dia, por isso que de meio-dia às, vamos dizer assim, as 2h mais ao menos, não deve haver incorporação, é a hora do Sol a pino, não deve haver incorporação nesse período, nesse intervalo. Nesse momento os Cavaleiros vão, das Legiões eles se deslocam, absorvem esses mantras e vão, os grandes Caçadores, pegam os espíritos e jogam numa Mesa Evangélica. Ou muitas vezes você vai lá e coloca o seu nome, nome de uma pessoa e coloca ali na Mesa, os Cavaleiros buscam eles para ali.
        Então tem a formação assim, a Mesa aqui. Aqui no plano físico, nós temos aqui uma cadeira, aqui outra e aqui outra, poderia ser ligado, mas por que não é ligado? É porque se ligar vira terreiro, fecha o círculo, então aqui não, é aberto. Aqui está o Farol Mestre, daqui para cá você sempre procura colocar uma Ninfa, um Ajanã, uma Ninfa, um Ajanã, procure intercalar a Mesa desta forma, desde que o número do todo seja ímpar, não pode dar par. Por que não pode dar par? Porque se der par fica uma força igual e ímpar, a força balanceia, elas chamam força em desequilíbrio, não é força em desequilíbrio no sentido de estar desequilibrado o trabalho não, é força em desequilíbrio, que ela faz isso. Então por isso é que é o número ímpar, nunca pode ser um número par e você procura colocar aqui na cabeceira da Mesa sempre uma Ninfa e um Ajanã, com esse poder que tem, graças a Deus.
        Aqui estão os três Faróis. Na Legião dos Encantados existe uma Mesa acima dessa aqui, ela fica acima dessa aqui, que tem a responsabilidade Pai João, Pai Zambô e Pai Zambu, são as entidades responsáveis por aqueles setor de trabalho. Não quer dizer que Pai João, todas as Mesas, ele está sentado lá. Não, ué! Mas, tem uma representante responsável por aquele trabalho. Então o Comandante chega aqui, se prepara para abrir o trabalho, ele se mediuniza, ele se prepara, ele vai abrir o trabalho. Se você começar a falar ali, você desarmoniza todo esse povo, quando você abrir a incorporação o desmantelo vai ser grande claro, porque você ficou falando. Quando você joga uma pedra para cima até certo ponto ela vai, de certo ponto para frente ela começa a descer e você vai arrumar uma desarmonia.        Então, chega aqui: “Graças a Deus, meus Mestres.” Se prepara, faz um Pai Nosso e abre a Mesa.
        A média é de 15 minutos, 20 minutos. Por quê? Porque esses Aparás nossos, com todo poder que eles têm, começa a passar muito espírito ele começa a esgotar, ele vai se esgotando, vai além da capacidade dele, porque esse Doutrinador que fez essa puxada aqui e fez a elevação, ele passa para cá, o outro que vem já vai fazer a puxada em seguida. Então, em 15 minutos passam muitos espíritos. Outra coisa, às vezes eles pegam um Exu e anestesia e ele coloca ali, quando o Doutrinador vem, o mentor daquele aparelho puxa aquele espírito de cima daquele médium de incorporação, ali está um Exu. Porque não é aconselhado que nós não tocamos, Doutrinadores não podem tocar no médium de incorporação? Exatamente por isso, porque nós temos aqui no morrinho da mão, dessa falangeta, é uma força chamada força de alerta, se nós tocarmos nós cortamos o efeito daquele magnético emitido sobre aquele espírito e ele alerta, ele alerta ali, então nós não podemos tocar exatamente por isso.
        Muitas vezes o Apará está ali: “Aqui é o Exu Fulano de tal.” Não, não é! Ele não sabe o significado de uma passagem de um espírito numa Mesa. Funciona dessa forma: eles anestesiam aquele espírito, ele passa e vai para as Legiões. Muitas vezes está incorporado ali um recém-desencarnado e o Apará, pelo seu pensamento, acha que é um Exu, mas, não é, o Exu, a passagem dele não é dessa forma. E isso eu tive experiência, passou-se um caso comigo com Tia Neiva. Eu estava com a Mesa formada ela chegou e falou assim: “Eu vou participar dessa Mesa.” Falei: “Tá bom, Tia.” Já estava um número ímpar, ela sentou ficou par, mas eu não ia dizer para ela que era ímpar ou era par, ela era Clarividente, eu sou doido? Ela falou: “Eu vou participar dessa Mesa.” “Sim, senhora.” Ela falou assim para a Ninfa: “Chega para lá, minha filha.” Chegou e sentou ali. E tinha um moreninho aqui, ele incorporava até uma entidade chamada Pai Serafim, durante o tempo que você abria a Mesa ele ficava com olho aberto, quando ele tocava sineta ele incorporava. “Aqui é o Exu Fulano de tal, eu só vou quando passar o meu povo todo.” Tá bom. E eu fiquei ali esperando, falei: “A Tia está aí, vamos ver o que ela vai achar.” Aí ela levantou, falou para mim: “Por que você não encerra esse trabalho, meu filho? Você não é um Doutrinador, não?” Falei: “Sou! Mas a pessoa está ali incorporada.” Ela falou: “Não, meu filho, pode encerrar, ali não tem espírito não.” Aí eu encerrei, ela levantou, tomou o passe, levantou, passou para trás do Farol e disse assim: “Meu filho, você não incorporou um espírito, não, mas se você quiser incorporar eu vou puxar um espírito em cima de você, para você ver o que é incorporar um Exu. Você não vai ficar fazendo gracinha aí, não, porque você vai rolar pelo chão aí, não vai ser brincadeira, não!” Isso falou, falou, falou, aí falou assim: “Agora, mentaliza.” Não sei se ele mentalizou ou não, só sei que ela levantou o braço, ele incorporou e andou por dentro daquela Mesa de quatro pés e urrando e comendo vela, foi um Deus nos acuda! E ela falou: “Não, meu filho, não precisa doutrinar não, deixa ele aí tranquilo.” O cabra molhou dos pés à cabeça. Aí ela falou: “Meu filho, graças a Deus, você incorporou um espírito, um Exu valente! Graças a Deus, meu filho, que grandeza!” Nunca mais!
A passagem na Mesa Evangélica é dessa forma. Ás vezes um Exu terrível que está causando os grandes desastres nesses caminhos, está prejudicando as pessoas por afora,eles pegam ele e colocam na Mesa Evangélica ali como se fosse uma anestesia, anestesiado, puxa ele em cima de uma entidade, o Doutrinador doutrina, faz entrega dele. Graças a Deus! Quandoele se alertar eles no Canal Vermelho, está na Legião, está recebendo os ensinamentos necessários para a evolução dele. Você pega, às vezes, um recém-desencarnado que teve a oportunidade feliz de passar por uma Mesa Evangélica. Graças a Deus! É uma dádiva divina, ele está seguro pelos planos espirituais, faz a doutrina e faz a elevação.
Outra coisa: às vezes o médium diz: “Eu estou tão chateado, estou aborrecido, vou participar de uma Mesa.” É um engano! Aquele espírito que está ali, quem sabe o quanto esse espírito está vagando? Quantos anos esse espelho está atrás de uma oportunidade? Se você doutrina, se aquele médium está em desarmonia, porque, muitas vezes o médium grita tanto e faz um escarcéu tão grande que o espírito tem medo de incorporar! Você doutrina, faz a entrega e esse espírito vai para a Legião. Quanta coisa nós ganhamos em bônus/horas naquele instante? E muitas vezes o médium incorpora e começa a gritar e coisa.Às vezes o espírito nem vai e às vezesele vai mais atordoado do que quandoele veio, ele vai ser prejudicado. O nosso dever é a lei do auxílio, a lei do amor, mas fazer com consciência a doutrina certa.
Também, esse negócio do Doutrinador dizer: “Você vai subir com o meu Cavaleiro, vai subir com a minha Princesa, vai para escolade Francisco de Assis.” Comoé que ele sabe que ele vai para escola de Francisco de Assis? O nosso dever é: “Graças a Deus, meu irmão, você é um espírito desencarnado, agradeça essa rica oportunidade.” Cadaum tem uma maneira de falar, mas mais ou menos dessaforma, mostrando sempre para ele que ele é um espírito desencarnado, que de agora em diante ele vai galgar os degraus evolutivos, ele vai trilhar um outro caminho, um caminho de amor, de harmonia, de paz. “Você vai subir com a minha Princesa, vai subir com o meu Cavaleiro.” E que danado é isso que essa Princesa tem que levar tanto espírito? Que negócio é esse? Não, gente, não é assim, as coisas não são assim.
Inclusive tem uns que fazem assim e tal, o espírito sai aqui ó, quando você faz a elevação ele faz isso ó, ele sai aqui, entra no Neutrom e vai para o Canal Vermelho, todos que passam pela Mesa Evangélica, se for harmonizado vai para o Canal Vermelho, nas grandes filas. Passou um espírito lá que, um dia Tia encontrou com ele na Legião, e ele disse: “Olha, Tia Neiva, todos os dias eu peço a Deus por aquele casal de médium que me passou na Mesa Evangélica, todos os dias eu faço uma prece a Deus e peço a Deus por eles, porque foi através deles que eu estou aqui.” Então, meus irmãos e meus Mestres, é um poder absoluto, graças a Deus! Quando você toca a sineta ali para o encerramento, geralmente eles aguardam, os iniciados responsáveis por esta Mesa, eles aguardam, Pai João, pai Zambô e Pai Zambu, eles aguardam algum retardatário que vai e é puxado,eleva, pronto! Vai preparar para encerrar o trabalho. Esse é que é o trabalho da Mesa Evangélica, por isso que não tem incorporação de espírito de luz, só espírito sofredor, porque tem a assistência do Céu, das entidades de luz que dão assistência, os mentores responsáveis.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O DOMINGO

Esta novidade radical que a Eucaristia introduz na vida do homem revelou-se à consciência cristã desde o princípio; prontamente os fiéis compreenderam a influência profunda que a celebração eucarística exercia sobre o seu estilo de vida. Santo Inácio de Antioquia exprimia esta verdade designando os cristãos como «aqueles que chegaram à nova esperança», e apresentava-os como aqueles que vivem «segundo o domingo». Esta expressão do grande mártir antioqueno põe claramente em evidência a ligação entre a realidade eucarística e a vida cristã no seu dia a dia. O costume característico que os cristãos têm de se reunir no primeiro dia depois do sábado para celebrar a ressurreição de Cristo — conforme a narração do mártir São Justino — é também o dado que define a forma da vida renovada pelo encontro com Cristo.
Mas a expressão de Santo Inácio — viver «segundo o domingo» — sublinha também o valor paradigmático que este dia santo tem para os restantes dias da semana. De facto, o domingo não se distingue com base na simples suspensão das atividades habituais, como se fosse uma espécie de parêntesis dentro do ritmo normal dos dias; os cristãos sempre sentiram este dia como o primeiro da semana, porque nele se faz memória da novidade radical trazida por Cristo. Por isso, o domingo é o dia em que o cristão reencontra a forma eucarística própria da sua existência, segundo a qual é chamado a viver constantemente; viver «segundo o domingo» significa viver consciente da libertação trazida por Cristo e realizar a própria existência como oferta de si mesmo a Deus, para que a sua vitória se manifeste plenamente a todos os homens através duma conduta intimamente renovada.