segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Simplicidade

Quando ouvimos falar de simplicidade logo nos vêm à mente pessoas despidas de adereços, lares onde se percebe a escassez de recursos financeiros e assim por diante.


Todavia poderemos entender a simplicidade sob outro aspecto.

Nem sempre as pessoas que não se enfeitam são simples e a recíproca é verdadeira. Há pessoas que se vestem com aparente luxo mas são pessoas extremamente simples.

A singeleza está na intimidade de cada criatura.

Ser simples é não opinar sobre o que desconhece.

É admitir-se capaz de cometer equívocos.

É ser feliz com pouca coisa, ou com coisas simples.

Ser simples é falar com sinceridade. É deixar-se emocionar diante de pequenos fatos. É permitir que as lágrimas rolem pelo rosto quando o coração solicita.

Quem é verdadeiramente simples, percebe as grandezas da vida impressas nas coisas singelas da natureza.

Jesus foi um nobre exemplo de simplicidade.

Possuidor de grandioso conhecimento em todas as áreas, soube ensinar sem arrogância.

Portador das verdades divinas, teve o cuidado de não ofuscar as criaturas que com ele travavam contato.

Conhecedor do universo, utilizou-se de coisas singelas para ensinar a Boa Nova.

Falou do grão de mostarda, do óbolo da viúva, do semeador...

Todos os Seus ensinamentos foram ministrados de maneira singela e exemplificados da mesma forma.

Falou de maneira simples tanto aos doutores da lei quanto aos iletrados.

Quando teve que falar com firmeza o fez com simplicidade.

No seu nascimento, foi acolhido pela manjedoura singela e na sua morte a simplicidade coloriu sua face.

Lembrando esse Espírito grandioso que a Terra conheceu, vale a pena pensar um pouco a respeito da simplicidade e envidar esforços para sermos pessoas simples.

E a simplicidade consiste em ter um coração predisposto ao perdão.

Em ter sempre no olhar uma chama de esperança e nos lábios um sorriso gentil.

Ter palavras e gestos que traduzam nossos sentimentos, sem afetação.

E passos firmes na direção da felicidade tão desejada.

Enfim, ser simples como o criador, que nos oferece a natureza bela e exuberante a cantar a simplicidade desde a aurora até o crepúsculo.

Pense nisso!

Os homens que se fizeram notar nos diversos campos do conhecimento humano, não o fizeram com afetação e pompa.

Esses homens e mulheres que se revelaram protótipos da beleza nas Artes, nas Ciências e na Filosofia se engrandeceram através da simplicidade, usando as vestes da humildade.

SALVE DEUS

A carne é fraca?

Estudo fisiológico e moral.


Há tendências viciosas que são, evidentemente, inerentes ao Espírito, porque se prendem mais ao moral do que ao físico; outras parecem antes a consequência do organismo, e, por este motivo, delas se pode crer menos responsável; tais são as predisposições à cólera, à moleza, à sensualidade, etc.

Está perfeitamente reconhecido hoje, pelos filósofos espiritualistas, que os órgãos cerebrais correspondentes às diversas aptidões, devem seu desenvolvimento à atividade do Espírito; que esse desenvolvimento é assim um efeito e não uma causa. Um homem não é músico porque tem a bossa da música, mas ele não tem a bossa da música senão porque seu Espírito é músico (Revista, de julho de 1860, página 198, e abril de 1862, página 97.)

Se a atividade do Espírito reage sobre o cérebro, ela deve reagir igualmente sobre as outras partes do organismo. O Espírito é, assim, o artífice de seu próprio corpo, que ele configura, por assim dizer, a fim de apropriá-lo às suas necessidades e às manifestações de suas tendências. Estando isto posto, a perfeição do corpo nas raças avançadas seria o trabalho do Espírito que aperfeiçoa o seu aparelhamento à medida que as suas faculdades aumentam. (A Gênese segundo o Espiritismo, cap. XI; Gênese espiritual.)

Por uma consequência natural deste princípio, as disposições morais do Espírito devem modificar as qualidades do sangue, dar-lhe mais ou menos atividade, provocar uma secreção mais ou menos abundante de bile ou outros fluidos. É assim, por exemplo, que o guloso sente vir a saliva, ou, como se diz vulgarmente, a água à boca à vista de uma comida apetitosa. Não é a comida que pode superexcitar o órgão do gosto, uma vez que com ele não tem contato; é, pois, o Espírito cuja sensualidade é despertada, que age pelo pensamento sobre esse órgão, ao passo que, sobre um outro Espírito, a visão dessa comida nada produz. Ocorre o mesmo com todas as cobiças, todos os desejos provocados pela visão. A diversidade das emoções não pode se explicar, numa multidão de casos, senão pela diversidade das qualidades do Espírito. Tal é a razão pela qual uma pessoa sensível derrama facilmente lágrimas; não é a abundância das lágrimas que dá a sensibilidade ao Espírito, mas a sensibilidade do Espírito que provoca a secreção abundante das lágrimas. Sob o domínio da sensibilidade, o organismo é modelado sob essa disposição normal do Espírito, como é modelado naquela do Espírito guloso.

Seguindo esta ordem de ideias, compreende-se que o Espírito irascível deve levar ao temperamento bilioso; de onde se segue que um homem não é colérico porque é bilioso, mas que ele é bilioso, porque é colérico. Assim ocorre com todas as outras disposições instintivas; um Espírito mole e indolente deixará o seu organismo num estado de atonia em relação com o seu caráter, ao passo que se for ativo e enérgico, dará ao seu sangue, aos seus nervos, qualidades muito diferentes. A ação do Espírito sobre o físico é de tal modo evidente, que se veem, frequentemente, graves desordens orgânicas se produzirem pelo efeito de violentas comoções morais. A expressão vulgar: A emoção lhe revirou o sangue não é também destituída de sentido quanto se poderia crê-lo; ora o que pôde revirar o sangue, se não as disposições morais do Espírito?

Este efeito é sobretudo sensível nas grandes dores, nas grandes alegrias e nos grandes medos, cuja reação pode ir até causar a morte. Veem-se pessoas que morrem do medo de morrer; ora, que relação existe entre o corpo do indivíduo e o objeto que causa seu pavor, objeto que, frequentemente, não tem nenhuma realidade? É, diz-se, o efeito da imaginação; seja; mas que é a imaginação senão um atributo, um modo de sensibilidade do Espírito? Parece difícil atribuir a imaginação aos músculos e aos nervos, porque, então, não se explicaria porque esses músculos e esses nervos não têm sempre imaginação; por que não o têm mais depois da morte; porque o que causa em uns um pavor mortal, superexcita a coragem em outros.

De qualquer sutileza que se use para explicar os fenômenos morais unicamente pelas propriedades da matéria, cai-se, inevitavelmente num impasse, no fundo do qual percebe-se, em toda a sua evidência, e como a única solução possível, o ser espiritual independente, para quem o organismo não é senão um meio de manifestação, como o piano é o instrumento das manifestações do pensamento do músico. Do mesmo modo que o músico afina o seu piano, pode-se dizer que o Espírito afina o seu corpo para colocá-lo no diapasão de suas disposições morais.

É verdadeiramente curioso ver o materialismo falar, sem cessar, da necessidade de levantar a dignidade do homem, então que se esforça em reduzi-la a um pedaço de carne que apodrece e desaparece sem deixar nenhum vestígio; de reivindicar para ele a liberdade como um direito natural, quando dela faz uma mecânica caminhando como uma pessoa encarregada de girar o espeto, sem responsabilidade de seus atos.

Com o ser espiritual independente, preexistente e sobrevivente ao corpo, a responsabilidade é absoluta; ora, para o maior homem, o primeiro, o principal móvel da crença no nada é o pavor que causa essa responsabilidade, fora da lei humana, e à qual se crê escapar tapando os olhos. Até hoje esta responsabilidade nada tinha de bem definida; não era senão um temor vago, fundado, é preciso muito reconhecê-lo, sobre crenças que não eram sempre admissíveis pela razão; o Espiritismo a demonstrou como uma realidade patente, efetiva, sem restrição, como uma consequência natural da espiritualidade do ser; é porque certas pessoas têm medo do Espiritismo que lhes perturbaria em sua quietude, levantando diante delas o temível tribunal do futuro. Provar que o homem é responsável por todos os seus atos é provar a sua liberdade de ação, e provar a sua liberdade, é levantar a sua dignidade. A perspectiva da responsabilidade fora da lei humana é o mais poderoso elemento moralizador: é o objetivo ao qual o Espiritismo conduz pela força das coisas.

Segundo as observações fisiológicas que precedem, pode-se, pois, admitir que o temperamento é, pelo menos em parte, determinado pela natureza do Espírito, que é causa e não efeito. Dizemos em parte, porque há casos em que o físico influi evidentemente sobre o moral: é quando um estado mórbido ou anormal é determinado por uma causa externa, acidental, independente do Espírito, como a temperatura, o clima, os vícios hereditários de constituição, uma doença passageira, etc. O moral do Espírito pode então ser afetado em suas manifestações pelo estado patológico, sem que a sua natureza intrínseca seja modificada.

Desculpar-se de seus defeitos sobre a fraqueza da carne não é, pois, senão uma fuga falsa para escapar à responsabilidade. A carne é fraca porque o Espírito é fraco, é em que se torna a questão, e deixa ao Espírito a responsabilidade de todos os seus atos. A carne, que não tem nem pensamento nem vontade, não prevalece jamais sobre o Espírito, que é o ser pensante e que quer, é o Espírito que dá à carne as qualidades correspondentes aos seus instintos, como o artista imprime à sua obra material a marca de seu gênio. O Espírito liberto dos instintos da bestialidade, forma um corpo que não é mais um tirano para assuas aspirações na direção da espiritualidade de seu ser; é quando o homem come para viver, porque viver é uma necessidade, mas não vive mais para comer.

A responsabilidade moral dos atos da vida, portanto, permanece inteira; mas a razão diz que as consequências desta responsabilidade devem estar em razão do desenvolvimento intelectual do Espírito; quanto mais o Espírito é esclarecido, mais é indesculpável, porque com a inteligência e o senso moral, nascem as noções do bem e do mal, do justo e do injusto. O selvagem, ainda vizinho da animalidade, que cede ao instinto do animal comendo seu semelhante, é, sem contradita, menos culpável que o homem civilizado que comete uma simples injustiça.

Esta lei encontra ainda sua aplicação na medicina, e dá a razão de seu insucesso em certos casos. Desde que o temperamento é um efeito e não uma causa, os esforços tentados para modificá-lo podem ser paralisados pelas disposições morais do Espírito que opõe uma resistência inconsciente e neutraliza a ação terapêutica. E, pois, sobre a causa primeira que se deve agir; chegando-se a mudar as disposições morais do Espírito, o temperamento se modificará por si mesmo sob o império de uma vontade diferente, ou, pelo menos, a ação do tratamento médico será secundada em lugar de contrariá-la. Dai, se for possível, coragem ao covarde, e vereis cessar os efeitos fisiológicos do medo; ocorre o mesmo com as outras disposições.

Mas, dir-se-á, o médico do corpo pode se fazer o médico da alma? Está em suas atribuições tornar-se o moralizador de seus doentes? Sim, sem dúvida, num certo limite; é mesmo um dever que um bom médico não negligencia jamais, desde o instante que vê, no estado da alma, um obstáculo ao restabelecimento da saúde do corpo; o essencial é aplicar o remédio moral com tato, prudência e com propósito, segundo as circunstâncias. Desse ponto de vista, sua ação está forçosamente circunscrita, porque, além de que não tem sobre seu doente senão um ascendente moral, uma transformação do caráter é difícil em certa idade; é, pois, à educação, e sobretudo à educação primeira, que incumbem os cuidados dessa natureza. Quando a educação for, desde o berço, dirigida nesse sentido; quando se aplicar em abafar, em seu germe, as imperfeições morais, como se faz para as imperfeições físicas, o médico não encontrará mais, no temperamento, um obstáculo contra o qual a sua ciência, muito frequentemente, é impotente.

Como se vê, é todo um estudo; mas um estudo completamente estéril enquanto não se tiver em conta a ação do elemento espiritual sobre o organismo. Participação incessantemente ativa do elemento espiritual nos fenômenos da vida, tal é a chave da maioria dos problemas contra os quais a ciência se choca; quando a ciência fizer entrarem linha de conta a ação desse princípio, verá abrir-se diante dela horizontes todos novos. É a demonstração desta verdade que o Espiritismo traz.

REVISTA ESPIRITA JORNAL DE ESTUDOS PSICOLÓGICOS

12o ANO NO. 3 - MARÇO 1869

Meninos Indigo

Os meninos Índigo vieram para trabalhar a humanidade. É um projecto do céu. Trazem uma programação interna capaz de ensinar qualquer adulto. Vão provocar inversão total de valores. Só entende a linguagem de amor, amor que vem directamente do coração. Não se deixam enganar, nem se desviam do seu caminho. Resistem aos padrões de educação tradicional, eles é que vieram para educar. Estão a nascer em todas as casas. Dão nas vistas pelo seu comportamento. Devem ser acompanhados e nunca desviados da sua missão. Se o adulto mostrar ter uma mente aberta e receptiva, este “pequeno adulto” vai mostra-lhe os caminhos.


São capazes de uma antevisão clara e objectiva das questões. Vem para colocar o dedo na ferida da humanidade e incentivar à mudança. Identificam o erro, oferecem pistas e dão soluções. Vão incomodar muita gente, pois obrigam a uma revisão total de valores, de tudo o que está estabelecido e que o homem confortavelmente não quer mudar. Querem ver alterados padrões de comportamento, de sociedade e da pedagogia.

Atravessamos momentos de profunda alteração, mas muito ainda está em perigo e muito há a fazer. Ao contrariar a natureza deste ser tão em sintonia com amor, com a paz e o universo, ele vai tornar-lhe a vida muito difícil. Não vai colaborar. Quanto mais for violentado em lugar de compreendido, piores os registos.

Pode trata-lo como um adulto porque a sua preparação está acima da compreensão actual.

Vêm ligados aos portais e vibram na medida certa. Qualquer perturbação externa que afecte este equilíbrio é penoso para estes seres. Sempre que estas crianças tão equilibradas lhe apresentarem distúrbios de comportamento fique certo que estão apenas a imitar ou a reflectir um comportamento seu. Fazem de espelho para melhor lhe explicar o que vai mal consigo, na sua vida, na sua casa, que no fundo é também o contexto dele.

Tem um forte sentido de justiça, pelo que a resposta “porque sim”, “porque eu é que sei”, “porque eu é que mando”, não é indicado. Pode induzi-los em comportamentos irritadiços, nervosos. Pode até acontecer que na próxima conversa, lhe devolvam respostas desta mesma natureza.

Ao longo da história a humanidade presenciou grandes obras realizadas por parte de Índigos, estes muitas vezes foram apenas reconhecidos, após a sua morte. Foram casos isolados.

A abundância destas crianças, no dia de hoje é tal que ninguém pode ficar indiferente. É necessário compreender bem que trazem uma nova mensagem e compreender que mensagem é essa.

Fique seguro que é um enorme desafio para pais, familiares, educadores de infância e professores. Um ser destes bem acompanhado será brilhante, prestará serviço à sua comunidade com conotações acima da média. Simplesmente porque faz o que gosta.

Um bebé tem identidade própria, não deseduque o seu filho para o obrigar a ser o que não conseguiu ser. Ele vem para ser ele mesmo, tem um projecto de vida. Cabe apenas ao adulto respeita-lo e orienta-lo.

Estas crianças têm seus padrões, suas vontades sabem exactamente porque vieram, ao que vieram, e porque nasceram no seio da sua família. Necessitam de amor, protecção e orientação porque são gente adulta, dentro de um corpo de criança.

Caso estas crianças sintam que o adulto as entende, as respeita como elas são e percebe da nova programação com que nascem, saltam para o seu colo com uma simpatia universal.

Tem um sorrir aberto, olhos grandes e um à vontade que parece dar a entender que o conhece desde sempre. Sem cerimónia, diz-lhe na cara o que menos espera ouvir, mesmo que o tenha conhecido faz poucas horas.

Assim, como idealmente gostamos e tratamos do nosso corpo, do nosso ser, tentemos ver o planeta terra como se de nosso corpo se tratasse. O inicio foi perfeito, bonito e bem cuidado, mas com o decorrer dos tempos, dos séculos, o homem descurou o tratamento deste ser magnifico, que é a nossa casa. O que é património de todos, encontra-se em profundo desequilíbrio. Ao adulto actual custa ter este tipo de visão. O seu campo de preocupações fica restrito aos m quadrados da sua casa ou escritório e pouco mais. Sugere sempre que sozinho nada pode alterar. Uma vez que o padrão se repete, o que surge são centenas de pessoas que olham apenas ao seu espaço. Uma criança Índigo vem contrariar esta tendência, pois ela sabe que tal manifestação não é correcta e que todos os pensamentos juntos já fazem volume e envolvem o planeta de negatividade. Ela tem consciência universal, não olha apenas para si mesma.

Sente e presente sem margem de erro, o que o adulto vale e o que está a pensar. Se diz algo com a boca e mentalmente pensa diferente.

Quando encontra baixas vibrações, chora, adoece e não se sente bem.

O azul Índigo de sua auras reflecte o caracter com que nasce, tem sentido humanitário, faz sem esperar o resultado, partilha com os desfavorecidos, é sensível ao mal estar alheio, é verdadeiro na essência, tem consciência que onde acaba a sua mão começa a mão do seu amigo ou desconhecido.

O seu Índigo pode não ser médico, juiz ou engenheiro, mas seguramente tem acesso a uma sabedoria que já não se encontra nos livros.

Em alguns casos gosta de estar só. Desde cedo é um ser bem centrado em si e no que vem cá fazer. Se tiver que escolher entre estar com um adulto que não o entende e estar só, pois fica só e muito alegre.

Sem que ele se aperceba, veja todas as suas brincadeiras. Observamos que tem a ver com sentimentos, pessoas, harmonia e construção. Os seus sentimentos são bem ligados à mãe terra e ao pai céu.

Se observar o seu Índigo a comer areia e pintar a parede da sala com caneta, fique certo que vai fazer estas e outras experiências, pois tem necessidade de experiência todas as vertentes do seu ser. Pode pegar e largar em várias actividades ao mesmo tempo sem parecer concluir alguma, uma vez que tem uma velocidade de interiorizar acima da média. São velozes, irrequietos, tem sede de conhecimento, se não consegue faze-los parar, inscreva-os em todas as actividades extra escolares que sejam de seu interesse.

Pode estar horas perdidas no chat de computador, pois além do que escreve, exercita a telepatia.

Não estranhe se ele lhe ler os pensamentos, e acabar o seu raciocínio, numa conversa, também faz parte das suas características. Caso tenha capacidade de o ouvir com atenção, pode dar-lhe indicações e soluções para resolução das suas questões.

Cada pensamento, cada manifestação, são energias em movimento. Uma vez que tudo o que vai também volta, conforme o envio, assim vai ser o retorno. Trate bem o seu Índigo, com carinho e amor, quanto mais jovem a criança maior o grau de expressão, pela via do comportamento, do seu mau estar ou bem estar interno.

Isabel Leal

Verdade

A verdade, meu amigo, é uma dessas abstrações para as quais tende o Espírito humano incessantemente, sem jamais poder atingi-la. É preciso que ele tenda para ela, é uma das condições do progresso, mas, pela simples razão da imperfeição de sua natureza, ele não poderia alcançá-la. Seguindo a direção que segue a verdade em sua marcha ascendente, o Espírito humano está na via providencial, mas não lhe é dado ver o seu termo.


Compreender-me-ás melhor quando souberes que a verdade é, como o tempo, dividida em duas partes, pelo momento inapreciável que se chama o presente, a saber: o passado e o futuro.

Assim, há duas verdades: a verdade relativa e a verdade absoluta; a verdade relativa é o que é; a verdade absoluta é o que deveria ser.

Ora, como o que deveria ser sobe por graus até a perfeição absoluta, que é Deus, segue-se que, para os seres criados e seguindo a rota ascensional do progresso, não há senão verdades relativas.

Mas, do fato de uma verdade relativa não ser imutável, não se segue que seja menos sagrada para o ser criado.

Vossas leis, vossos costumes, vossas instituições são essencialmente perfectíveis e, por isto mesmo, imperfeitas; mas suas imperfeições não vos liberam do respeito que lhes deveis. Não é permitido adiantar-se ao tempo e fazer leis fora das leis sociais. A Humanidade é um ser coletivo que deve marchar, se não em seu

conjunto, ao menos por grupos, para o progresso do futuro.

Aquele que se destaca da sociedade humana para avançar como criança perdida, sofre sempre na vossa Terra a pena devida à sua impaciência. Deixai aos iniciadores inspirados pelo Espírito de Verdade, o cuidado de proclamar as leis do futuro, submetendo-se à do presente. Deixai a Deus, que mede vossos progressos pelos

esforços que tendes feito para vos tornardes melhores, o cuidado de escolher o momento que julgar útil para uma nova transição, mas jamais vos esquiveis a uma lei senão quando for derrogada.

Porque o Espiritismo foi revelado entre vós, não creiais num cataclismo das instituições sociais; até agora ele tem realizado uma obra subterrânea e inconsciente para aqueles que foram os seus instrumentos. Hoje que ele vem à tona e surge à luz, nem por isso a marcha do progresso deve ser de lenta regularidade.

Desconfiai dos Espíritos impacientes, que vos impelem para as sendas perigosas do desconhecido. A eternidade que vos é prometida deve levar-vos a ter piedade das ambições tão efêmeras da vida. Sede reservados até em suspeitar, muitas vezes, da voz dos Espíritos que se manifestam.

Lembrais-vos disto: O Espírito humano move-se e se agita sob a influência de três causas, que são: a reflexão, a inspiração e a revelação. A reflexão é a riqueza de vossas lembranças, que agitais voluntariamente. Nela, o homem encontra o que lhe é rigorosamente útil, para satisfazer às necessidades de uma posição estacionária. A inspiração é a influência dos Espíritos extraterrestres, que se misturam mais ou menos às vossas próprias reflexões para vos compelir ao progresso; é a intromissão do melhor na insuficiência da passagem, uma força nova que se junta a uma força adquirida, para vos levar mais longe que o presente, a prova irrecusável de uma causa oculta que vos impulsiona para frente, e sem a qual permaneceríeis estacionários. Porque é regra física e moral que o efeito não poderia ser maior que sua causa, e quando isto acontece, como no progresso social, é que uma causa ignorada, não percebida, juntou-se à causa primeira de vosso impulso. A revelação é a mais elevada das forças que agitam o Espírito do homem, porque vem de Deus e só se manifesta por sua vontade expressa; ela é rara, por vezes mesmo inapreciável, algumas vezes evidente para o que a experimenta a ponto de sentir-se involuntariamente tomado de santo respeito. Repito, ela é rara e dada ordinariamente como recompensa à fé sincera, ao coração devotado; mas não tomeis como revelação tudo quanto vos pode ser dado como tal. O homem se vangloria da amizade dos grandes, os Espíritos exibem uma permissão especial de Deus, que muitas vezes lhes falta.

Algumas vezes fazem promessas que Deus não ratifica, porque só ele sabe o que é e o que não é preciso.

Eis, meu amigo, tudo quanto posso dizer-te sobre a verdade. Humilha-te perante o grande Ser, por quem tudo vive e se move na infinidade dos mundos, que seu poder governa; medita que se nEle se acha toda a sabedoria, toda justiça e todo poder, nEle também se acha toda a verdade.

Pascal

REVISTA ESPÍRITA MAIO DE 1865

Dissertações Espíritas

(Lyon, novembro de 1863 – Médium: Sr. X...)

Deus não É de vingança

O que precede não passa de um preâmbulo destinado a servir de introdução a outras ideias. Falei-vos de ideias preconcebidas, mas há outras além das que vêm das inclinações do inspirado; há as que são consequência de uma instrução errônea, de uma interpretação acreditada num tempo mais ou menos longo,


que tiveram sua razão de ser numa época em que a razão humana estava insuficientemente desenvolvida e que, passadas ao estado crônico, só podem ser modificados por esforços heroicos, sobretudo quando têm para si a autoridade do ensino religioso e de livros reservados. Uma destas ideias é esta: Deus se vinga. Que um homem, ferido em seu orgulho, em sua pessoa ou em seus interesses, se vingue, isto se concebe; embora culpado tal vingança está dentro dos limites das imperfeições humanas. Mas um pai que se vinga nos filhos levanta a indignação geral, porque cada um sente que um pai, encarregado da tarefa de criar os seus filhos,

pode corrigir-lhes os erros e os defeitos por todos os meios ao seu alcance, mas a vingança lhe é interdita, sob pena de tornar-se estranho a todos os direitos da paternidade.

Sob o nome de vindita pública, a sociedade que desaparece vingava-se dos culpados; a punição infligida, muitas vezes cruel, não passava de vingança sobre as más ações do homem perverso; ela não se preocupava absolutamente com a reabilitação desse homem, deixando a Deus o cuidado de o punir ou de o perdoar. Bastava-lhe ferir pelo terror, que julgava salutar, os futuros culpados. A sociedade que surge não pensa mais assim; se ainda não age em vista da reeducação do culpado, ao menos compreende o que a vingança contém de odioso por si mesma; salvaguardar a sociedade contra os ataques de um criminoso lhe basta e, ajudada

pelo temor de um erro judiciário, em breve a pena capital desaparecerá dos vossos códigos.

Se hoje a sociedade se julga muito forte em frente a um culpado para se deixar tomar pela cólera e dele vingar-se, como quereis que Deus, participando de vossas fraquezas, se deixe tomar por um sentimento irascível e fira por vingança um pecador chamado ao arrependimento? Crer na cólera divina é um orgulho

da Humanidade, que se imagina pesar bastante na balança divina.

Se a planta do vosso jardim não se desenvolve a contento, ireis encolerizar-vos e vos vingar dela? Não; se puderdes a soerguereis, apoiá-la-eis em estacas e, se necessário, a transplantareis, mas não vos vingareis. Assim faz Deus. Vingar-se, Deus? que blasfêmia! que amesquinhamento da grandeza divina! quanta ignorância da distância infinita que separa o Criador da criatura! Quanto esquecimento de sua bondade

e de sua justiça! Deus viria, numa existência em que não vos resta nenhuma lembrança dos vossos erros passados, fazer-vos pagar muito caro as faltas cometidas numa época apagada em vosso ser!

Não, não! Deus não age assim; ele entrava o impulso de uma paixão funesta, corrige o orgulho inato por uma humildade forçada, retifica o egoísmo do passado pela urgência de uma necessidade presente, que leva a desejar a existência de um sentimento que o homem nem conheceu, nem experimentou. Como pai, corrige,

mas, também como pai, Deus não se vinga.

Guardai-vos dessas ideias preconcebidas de vingança celeste, detritos perdidos de um erro antigo. Guardai-vos dessas tendências fatalistas, cuja porta está aberta para vossas doutrinas novas e que vos conduziriam diretamente ao quietismo oriental. A parte de liberdade do homem já não é bastante grande para diminuí-la ainda mais por crenças errôneas; quanto mais sentirdes vossa liberdade, sem dúvida maior será a vossa responsabilidade e tanto mais os esforços de vossa vontade vos conduzirão adiante, na senda do progresso.

Pascal

REVISTA ESPÍRITA MAIO DE 1865

Dissertações Espíritas

(Lyon, novembro de 1863 – Médium: Sr. X...)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Liberte-se do Sofrimento

“O homem pode amenizar ou aumentar a amargura das provas por sua maneira de encarar a vida terrestre. Sofre tanto mais quanto mais longa considera a duração do sofrimento.

O resultado daquela maneira de encarar a vida é diminuir a importância das coisas deste mundo, levar o homem a moderar seus desejos, e a contentar-se com a sua posição, sem invejar a de outros, atenuando o impacto moral de seus revezes e decepções. Ele extrai daí uma calma e uma resignação tão úteis à saúde do corpo quanto à da alma, enquanto pela inveja, o ciúme e a ambição, entrega-se voluntariamente à tortura, aumentando as misérias e angústias de sua existência.
Feliz daquele que paga as suas dívidas. Se não for hoje, será amanhã. Se não for nessa vida, será em outra.
A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.
Nada acontece sem a autorização de Deus, inclusive o sofrimento”
(Evangelho Segundo o Espiritismo)
***
Ao longo dos tempos viemos evoluindo, adquirimos a razão e o livre-arbítrio, entretanto, ainda estamos crescendo e ao passo que avançamos devemos deixar para trás os velhos sentimentos que nos estagnam numa condição inferior. Assim, as dificuldades são impostas, motivando as almas para que haja evolução em sabedoria e sentimentos, como individualidades.
Quem faz das provações motivos de sofrimento demonstra claramente seu apego excessivo às questões materiais e às ilusões geradas pelas inferioridades que se traz na alma. A dor é consequência da acção do amor sobre o egoísmo e o orgulho, pois que estes ainda dominam o ser. Sofre mais o tolo egoísta e orgulhoso que teima e teme ceder.
Aceitar com paciência e resignação as provações e enfrentá-las com racionalidade, sabedoria e bondade é o que capacita a alma à libertação do ego inferior que tanto sofre.

Paz e Sabedoria!